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O Ministério da Justiça da Turquia solicitou à Interpol um mandado de prisão internacional contra o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e outras autoridades de seu governo, segundo informou nesta sexta-feira (21) o titular da pasta, Akin Gürlek.
A medida tem o objetivo de obter as detenções em nível internacional dos principais responsáveis pela política israelense e dá continuidade às ordens de prisão turcas emitidas em 14 de julho pelo 11º Tribunal Penal Superior de Istambul, destacou Gürlek em comunicado publicado nas redes sociais.
O ministro lembrou que a referida corte julga à revelia Netanyahu e outros 34 acusados - entre eles o militar Afek Moskovitch - por supostos crimes de genocídio, crimes contra a humanidade e torturas, derivados da abordagem em águas internacionais da Flotilha Global Sumud, que transportava ativistas e ajuda humanitária para a Faixa de Gaza, apesar do bloqueio imposto por Israel.
"Rejeitamos categoricamente que o governo de Netanyahu seja imune à prestação de contas. Não permitiremos que os crimes cometidos em Gaza fiquem impunes", declarou o ministro após confirmar que a petição judicial foi encaminhada ao Ministério do Interior e à chancelaria turca para tramitação diplomática.
O pedido de mandado de prisão internacional coincide com um momento de máximo atrito bilateral, desencadeado pelo ataque aéreo efetuado por Israel em 18 de agosto contra a base de Abu Zuhur, na região síria de Idlib, situada a cerca de 70 quilômetros da fronteira turca.
Tel Aviv justificou a ofensiva alegando que a Síria planejava permitir o desdobramento de tropas turcas na zona. Tanto Ancara quanto Damasco negaram formalmente a existência de planos para estabelecer uma presença militar turca permanente em Abu Zuhur.
Israel, então, alertou a Turquia contra "aventuras perigosas" na Síria, enquanto Ancara continuou exigindo o fim do que descreveu como ataques "irresponsáveis" autorizados pelo governo de Netanyahu.
As advertências cruzadas e o tom das declarações elevaram as tensões entre Turquia e Israel a tal ponto que se teme uma crise com risco de confrontação militar direta.




