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Pesquisa

Uma de cada seis mulheres sofre violência doméstica, diz OMS

Estudo em 10 países revela quadro assustador e mostra que situação no Brasil é ainda mais grave do que a média

Uma de cada seis mulheres sofre violência doméstica e muitas ainda mantêm as agressões em segredo, alertou a Organização Mundial da Saúde (OMS), ao apresentar seu primeiro estudo global sobre o problema. A OMS também constatou que mulheres vítimas de abuso físico são, no longo prazo, mais propensas a problemas de saúde e ao suicídio. A pesquisa também coletou dados no Brasil, onde os números são ainda mais estarrecedores do que a média.

- As mulheres estão sob maior risco de violência envolvendo pessoas que elas conhecem, em casa, do que estranhos na rua - disse o diretor-geral da OMS, Lee Jong-Wook, ao apresentar os dados. - A violência doméstica continua largamente escondida.

Maridos e parceiros são os principais agressores.

- A cada 18 segundos, em algum lugar, uma mulher sofre violência e maus-tratos. Temos que pôr fim a essa prática vergonhosa - disse a ministra de Saúde da Espanha, Elena Salgado, que preside a assembléia anual da OMS.

O estudo "A Saúde da Mulher e a Violência Doméstica contra as Mulheres" é baseado em entrevistas com 24 mil mulheres de dez países, de todas as regiões.

No Brasil, foram ouvidas mulheres em São Paulo e na Zona da Mata Pernambucana. Na capital paulista, 29% das mulheres disseram já terem sofrido violência doméstica. Em Pernambuco, 37%.

O relatório descreve um cenário assustador dos resultados mais freqüentes das agressões, como fraturas, escoriações, queimaduras, traumatismo craniano, deslocamento de mandíbula, estupro e medo. No Brasil, a maioria dos casos é de violência severa - socos, chutes, ameaças e ataques com armas.

Um dos aspectos mais estarrecedores do levantamento é que nem as gestantes escapam de engrossar a estatística.

- Há um sentimento de que o lar é um refúgio e que a gravidez é um período muito protegido, mas esse não é o caso - disse Lee Jong-Wook.

Das entrevistadas que haviam estado grávidas, 4% a 12% disseram que foram espancadas durante a gestação - em mais de 90%, pelo pai da criança.

- A maior parte da violência que as mulheres grávidas vivem é a continuação da violência em andamento antes - disse Lori Heise, membro do grupo de pesquisa Path.

O relatório descreve casos como o de uma peruana que estava grávida de gêmeas e perdeu os bebês quando o pai das crianças bateu em seu estômago.

Também conta a história de uma brasileira que dorme trancada num quarto, para proteger-se do parceiro que ameaçou matá-la a tiros.

"Ele pegou essa arma, não sei de quem. E ele dizia às meninhas: 'Vou matar a mãe de vocês'. O dia vai nascer e sua mãe vai estar morta bem aqui. Dormi trancada num quarto, com um cachorro. Meu cachorro. Assim ele não me mataria."

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