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Navios carregam contêineres no Porto de Los Angeles, o mais movimentado do país | MARIO TAMA/AFP
Navios carregam contêineres no Porto de Los Angeles, o mais movimentado do país| Foto: MARIO TAMA/AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode achar mais difícil reivindicar vitória sobre a China se a guerra comercial continuar, mesmo que agora ele exiba o aquecimento da economia e do mercado de ações do país como prova de que está ganhando por enquanto. 

Nesta semana, o presidente determinou que seus funcionários apliquem tarifas a US$ 200 bilhões em produtos chineses a partir de 24 de setembro. Em retaliação, Pequim disse que vai impor US$ 60 bilhões em taxas a produtos norte-americanos importados. Entretanto, mesmo com o conflito se intensificando, a administração Trump sinalizou que ainda estaria aberta às conversações já na próxima semana. 

Neste momento, Trump ainda tem uma vantagem: a reação da economia ao conflito. Desde que o presidente ordenou, em março, que fossem aplicados US$ 50 bilhões em tarifas a produtos chineses, as ações das empresas americanas aumentaram cerca de 10%, enquanto as ações chinesas se retraíram em 16%. 

A economia americana está registrando a segunda maior expansão da história. O crescimento no segundo trimestre foi o maior em quatro anos, enquanto a taxa de desemprego – em 3,9% – está em seu nível mais baixo desde a década de 60. 

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Mas o cenário favorável a Trump pode durar pouco. O poder político do presidente pode ser reduzido caso os democratas ganhem a Câmara nas eleições para o Congresso em novembro. Embora a economia dos EUA até agora tenha se mostrado resiliente à guerra comercial, espera-se que o impulso decorrente dos cortes de impostos desapareça neste ano. 

Enquanto isso, a economia da China está mostrando alguns sinais de arrefecimento. O crescimento dos investimentos nos oito primeiros meses do ano caiu ao menor nível desde 1999. O iuan perdeu 8% de seu valor desde que Trump impôs as tarifas. 

"A China deve esperar mais cinco anos para enfrentar os EUA", disse Stephen Jen, CEO da Eurizon, uma empresa de gestão de ativos sediada em Londres. 

Espera-se que a economia da China desacelere, já que depende menos de endividamento e está mudando para um modelo de crescimento impulsionado mais pelo consumo. Mas ela ainda cresce, fazendo com que Pequim consiga amortecer o golpe. O presidente Xi Jinping, que cimentou seu poder em março colocando fim à restrição aos limites de mandato, tem motivos para ser paciente. 

Situação insustentável

Os EUA já utilizaram muita munição fiscal. Os US$ 1,5 trilhão em cortes de impostos que entraram em vigor em fevereiro deram um impulso à economia, mas o FMI espera que o impacto desapareça até 2020, quando o crescimento desacelerar. A instituição ainda vê a China se tornando a maior economia do mundo até 2030. 

Pequim já revelou medidas para se proteger contra a guerra comercial, incluindo gastos com infraestrutura. Embora os altos níveis de endividamento possam restringir a sua capacidade de resposta, Xi ainda tem muitas maneiras de aliviar a dor e ampla autoridade para conduzir a guerra comercial. 

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Enquanto isso, o índice de aprovação semanal mais recente de Trump é de 38%, segundo a Gallup. O Partido Republicano pode perder o controle da Câmara nas eleições parlamentares de 6 de novembro. 

Além disso, a oposição dos empresários americanos às tarifas está crescendo. O governo diz que está tentando minimizar o custo direto para os consumidores. Mesmo assim, Trump disse que está disposto a impor taxas sobre todas as importações chinesas, sugerindo que é apenas uma questão de tempo até que os telefones celulares e outros itens populares sejam atingidos. 

"A ideia de que você vai dar um soco na China ou fazer a China parecer fraca não é receita para resolver nossas diferenças", disse Jake Colvin, vice-presidente de comércio global do Conselho Nacional de Comércio Exterior, em Washington.

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"Quanto mais rápido ambos os lados perceberem que a situação atual é insustentável e que eles precisam chegar a um acordo, melhor será".

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