Monsenhor Silvano Tomasi (esq.) conversa com Charles Scicluna, fiscal da congregação vaticana, durante reunião em Genebra | Martial Trezzini/Efe
Monsenhor Silvano Tomasi (esq.) conversa com Charles Scicluna, fiscal da congregação vaticana, durante reunião em Genebra| Foto: Martial Trezzini/Efe

Histórico

Primeiros casos de abuso vieram a público nos Estados Unidos

Os primeiros casos de sacerdotes que abusaram de crianças e adolescentes foram denunciados primeiro nos Estados Unidos no início dos anos 2000. Em seguida, envolveram as igrejas de vários países da Europa, sobretudo da Irlanda, onde foram registrados milhares de abusos.

A igreja da América Latina também conheceu uma série de escândalos. O mais famoso foi o do fundador mexicano do movimento conservador dos Legionários de Cristo, Marcial Maciel, também culpado de abusos sexuais.

Em maio de 2011, a Congregação para a Doutrina da Fé, encarregada das denúncias, deu o prazo de um ano às conferências episcopais do mundo para a adoção de diretrizes contra a pedofilia, incluindo a colaboração com a Justiça civil.

O Vaticano afirmou ontem que não há desculpas para o abuso sexual de crianças por membros do clero. A declaração foi dada na primeira reunião do Comitê da Organização dos Direitos Humanos (ONU) para os Direitos da Criança sobre o tema, com participação de membros da Santa Sé.

O encontro acontece em meio à investigação das Nações Unidas sobre a suspeita de violação da Declaração Universal dos Direitos da Criança pelo clero. O Vaticano é acusado de encobrir o escândalo de abuso sexual por padres que teria ocorrido em países como Estados Unidos, Irlanda e México.

Na sessão de ontem, o representante do Vaticano na ONU, monsenhor Silvano Tomasi, disse que existem abusadores em todas as profissões do mundo, inclusive o clero. "Encontram-se abusadores nas profissões mais respeitadas do mundo e, mais lamentavelmente, entre membros do clero e profissionais da igreja", afirmou.

Ele ainda ressaltou que esses crimes nunca devem ser justificados, independente se ocorrem "em casa, nas escolas, nas atividades esportivas ou nas organizações e estruturas religiosas". O monsenhor prometeu a ajuda da Santa Sé, que, segundo ele, se dispôs a receber sugestões de como coibir a prática.

Esta é a primeira vez que o Vaticano se manifesta publicamente nas Nações Unidas sobre o assunto. No mês passado, a Santa Sé se negou a dar mais informações sobre os procedimentos canônicos que estão sendo efetuados para punir os sacerdotes envolvidos em abuso sexual.

A Cúria Romana afirmou na ocasião que não é responsável pela punição legal aos padres que abusaram de crianças fora de seu território. Apesar da negativa, o papa Francisco criou no mês passado uma comissão destinada a investigar os crimes sexuais cometidos pelo clero.

Em abril, o papa Francisco pediu uma "atuação decisiva" para eliminar os abusos sexuais dos religiosos e garantir que os responsáveis sejam punidos.

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