
O Vaticano estudará as condições necessárias para uma possível viagem do Papa Leão XIV à Ucrânia, afirmou o arcebispo Paul Richard Gallagher após uma missão pastoral e diplomática de seis dias ao país devastado pela guerra. Gallagher, secretário do Vaticano para as relações com os Estados e organizações internacionais, disse que a possibilidade de uma visita papal estava entre as questões que ouviu com mais frequência durante sua estadia.
"Quase todos que conheci me fizeram essa pergunta. Minha resposta é muito simples. O Santo Padre leva esse convite muito a sério", disse Gallagher à Vatican Media em Cracóvia, Polônia, antes de retornar a Roma. "De nossa parte, continuaremos a estudar as condições necessárias para determinar o momento certo e a maneira mais apropriada para que tal visita produza os maiores frutos possíveis para a Ucrânia e para a paz no mundo", afirmou.
Gallagher passou seis dias na Ucrânia, que está em guerra desde 2014 e tem suportado a invasão em larga escala da Rússia desde fevereiro de 2022. Ele realizou reuniões políticas, institucionais e eclesiásticas e participou de vários eventos pastorais. Encontrou-se com o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy em Kiev no dia 20 de julho. Zelenskyy expressou gratidão pelo apoio contínuo da Santa Sé à Ucrânia em meio à guerra com a Rússia.
O objetivo principal da visita de Gallagher foi participar das celebrações que marcaram o 35º aniversário da restauração das estruturas da Igreja Católica Latina no santuário mariano de Berdychiv. Milhares de fiéis compareceram às celebrações em 19 de julho. Gallagher disse que as autoridades ucranianas expressaram apreço pelo apoio da Santa Sé.
"Em nossas reuniões com as autoridades, encontramos profunda gratidão pelos apelos do Santo Padre e por suas palavras, e isso é uma fonte de encorajamento para nós", disse. "Eles se sentem apoiados pela proximidade demonstrada primeiro pelo Papa Francisco e agora pelo Papa Leão. Isso encoraja a Santa Sé a renovar seu compromisso com o diálogo com a comunidade internacional e com as autoridades russas, e a continuar seus esforços humanitários, como a missão confiada ao cardeal Matteo Maria Zuppi, que continua trabalhando pelo retorno de crianças, prisioneiros e civis."
O Papa Leão XIV recebeu vários convites oficiais para visitar a Ucrânia. Zelenskyy renovou o convite durante uma conversa com o papa na Sexta-feira Santa. Durante esse intercâmbio, o Papa Leão expressou sua proximidade ao povo ucraniano em meio ao sofrimento causado pela guerra e enfatizou a urgência de garantir assistência humanitária. Ele também expressou sua esperança pelo fim das hostilidades e por uma paz justa e duradoura com a Rússia.
Questionado sobre as perspectivas de um cessar-fogo, Gallagher disse ter visto uma forte disposição do lado ucraniano para trabalhar em direção a esse objetivo. "Durante esses dias, vi uma forte determinação do lado ucraniano para trabalhar nesse sentido. É difícil para mim dizer se isso pode ser alcançado no futuro imediato, mas devemos continuar a trabalhar nessa direção", disse. "Ao mesmo tempo, como vimos no santuário de Berdychiv — e como a história deste notável lugar de devoção mariana nos lembra, conhecido por muitas curas relatadas — nunca devemos descartar a possibilidade de um milagre."
Gallagher também refletiu sobre o que testemunhou durante a missão. "Para mim, esta foi uma experiência profundamente positiva. Além do esforço logístico e da longa jornada necessária para chegar à Ucrânia, permitiu-me tocar com minhas próprias mãos a realidade do mundo de hoje", disse. "Devemos lembrar que nem todos vivem como nós vivemos na Itália ou na minha Inglaterra natal. Há uma realidade sombria e perturbadora em nosso mundo hoje. Não devemos ceder. À nossa maneira, nós também somos chamados a nos esforçar, fazendo nossa parte com os meios disponíveis, a fim de construir a paz."
A visita de Gallagher seguiu-se à segunda missão do cardeal Matteo Maria Zuppi à Ucrânia como enviado especial do Papa Leão XIV. O arcebispo de Bolonha completou quatro dias de reuniões em Lviv e Kiev focadas em trocas de prisioneiros, no retorno de crianças ucranianas levadas para a Rússia e na entrega de assistência humanitária. Zuppi reuniu-se com autoridades civis e religiosas, funcionários responsáveis por trocas de prisioneiros e familiares de militares e civis detidos na Rússia.
Entre seus principais encontros estava um com o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, que agradeceu à Santa Sé por seus esforços humanitários e solicitou seu apoio para alcançar uma paz abrangente e duradoura. Sybiha também levantou as preocupações de Kiev sobre civis detidos em território russo e pediu um corredor humanitário para ajudar milhares de pessoas nas comunidades ocupadas pela Rússia de Oleshky e Hola Prystan, na região de Kherson.
Os prisioneiros foram um foco central da missão. As propostas discutidas incluíram uma possível troca abrangente de prisioneiros de guerra, esforços contínuos para localizar pessoas desaparecidas e medidas para facilitar o retorno de civis. As partes também discutiram a situação de crianças ucranianas levadas ilegalmente para a Rússia, uma questão na qual a Santa Sé tem estado envolvida há anos por meio de iniciativas diplomáticas e humanitárias.
Outro tópico foi a proteção da Lavra de Kiev-Pechersk, um Patrimônio Mundial da UNESCO que foi recentemente danificado em meio a ataques relacionados à guerra. As autoridades ucranianas consideram sua preservação e restauração uma prioridade.
©2026 Catholic News Agency. Publicado com permissão. Original em inglês: Vatican weighing papal trip to Ukraine https://www.ewtnnews.com/vatican/vatican-weighing-papal-trip-to-ukraine



