
O arcebispo Fortunatus Nwachukwu, secretário do Dicastério para a Evangelização, emitiu um alerta contundente sobre a saúde mental do clero. Durante o lançamento de um programa de formação na Nigéria, neste domingo (30), o oficial destacou que o descanso não é um luxo, mas uma necessidade vital para evitar o esgotamento e a morte prematura de sacerdotes, muitos dos quais falecem antes dos 50 anos.
Por que o Vaticano está preocupado com a rotina de trabalho dos padres?
A preocupação central é o aumento de casos de exaustão, depressão e mortes precoces entre o clero. O arcebispo Nwachukwu relatou que, em visitas ao cemitério da Diocese de Aba, notou que a maioria dos colegas faleceu antes de completar 50 anos, com pouquíssimos atingindo a marca dos 60 ou 70. Essa estatística alarmante acendeu um sinal vermelho sobre a necessidade de cuidar do bem-estar físico e emocional daqueles que dedicam a vida ao ministério, reforçando que o corpo e a mente dos religiosos também possuem limites que precisam ser respeitados para garantir um serviço saudável.
Qual é a relação entre os ensinamentos bíblicos e o autocuidado sacerdotal?
O oficial do Vaticano utilizou passagens bíblicas, como Marcos 6:31-32, para mostrar que o próprio Jesus compreendia a importância de pausar. Naquela época, os discípulos estavam tão ocupados que não tinham tempo nem para comer. Jesus os convidou a se retirarem para um lugar deserto para descansar. Nwachukwu explicou que a energia dada por Deus precisa de uma direção correta; se o padre não para, essa força pode se dissipar. Portanto, tirar um tempo para si é uma forma de seguir o exemplo de Cristo, permitindo que o sacerdote se renove espiritualmente e continue sua missão com alegria.
O que o Vaticano sugere como medidas práticas para melhorar a saúde mental?
As recomendações envolvem a criação de limites saudáveis e o fortalecimento de redes de apoio. O arcebispo enfatizou que os padres e bispos não são imunes ao estresse crônico, citando a renúncia recente de um bispo alemão por tensão psicológica. Ele sugere que o clero busque relacionamentos de suporte e, quando necessário, auxílio de profissionais de saúde mental. A ideia é que cuidar da saúde física e emocional não significa se afastar do ministério, mas sim garantir que o religioso esteja bem o suficiente para servir à comunidade com eficiência, sem sucumbir ao esgotamento profissional.
Como funcionará o programa de formação lançado para ajudar os sacerdotes?
Iniciado na Nigéria, o programa de seis semanas tem como tema o cuidado de si mesmo como um dom vivo. Ele explora a qualidade de vida, medos, ansiedades e aspirações que afetam o ministério sacerdotal. Os participantes terão acesso a treinamentos sobre bem-estar emocional e renovação espiritual, recebendo ao final um certificado. O objetivo é ensinar o desapego das atividades rotineiras para fortalecer a oração e a caridade. Além disso, reforça necessidades básicas, como dedicar tempo adequado para alimentação e hidratação, elementos essenciais que muitas vezes são negligenciados na pressa do dia a dia.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.





