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A direita ampliou sua força no mapa político da América Latina após a confirmação nesta quarta-feira (24) da vitória matemática de Keiko Fujimori na eleição presidencial do Peru. A candidata conservadora alcançou uma vantagem irreversível na apuração em andamento do segundo turno sobre o esquerdista Roberto Sánchez.
A vitória de Fujimori ocorre poucos dias depois da eleição de Abelardo de la Espriella na Colômbia, no domingo (21). Os dois resultados reforçam a guinada à direita na América Latina.
Veja o mapa político da América Latina após a vitória da direita no Peru e Colômbia:

Com o resultado no Peru, a América Latina passa a ter maioria de governos de direita ou a centro-direita. O bloco inclui Argentina, governada por Javier Milei; Chile, sob José Antonio Kast; Peru, agora sob comando de Keiko Fujimori; Equador, comandado por Daniel Noboa; Colômbia, com Abelardo de la Espriella; Bolívia, liderada por Rodrigo Paz; Paraguai, governado por Santiago Peña; El Salvador, sob Nayib Bukele; Honduras, com Nasry Asfura; Costa Rica, liderada por Laura Fernández; Panamá, governado por Raúl Mulino; e República Dominicana, sob Luis Abinader.
Do outro lado, a esquerda e a centro-esquerda ainda governam México, sob Claudia Sheinbaum; Guatemala, governada por Bernardo Arévalo; Cuba, comandada pelo ditador Miguel Díaz-Canel; Nicarágua, sob o ditador Daniel Ortega; Venezuela, liderada pelo regime chavista de Delcy Rodríguez; Brasil, governado por Luiz Inácio Lula da Silva; Uruguai, sob Yamandú Orsi; Guiana, comandada por Irfaan Ali; e Suriname, governado por Jennifer Geerlings-Simons. O Haiti é administrado neste momento por um conselho transicional liderado por Edgard Leblanc Fils, que integra uma legenda de esquerda no país.
Até 2023, a América Latina tinha maioria de governos de esquerda ou centro-esquerda. Três anos depois, o cenário se inverteu, com vitórias sucessivas de candidatos de direita em Argentina, Chile, Bolívia, Colômbia e Peru e em eleições na América Central.
A disputa eleitoral entre Keiko e Sánchez foi uma das mais apertadas da história recente do país. A candidata de direita iniciou a apuração à frente, chegou a ser ultrapassada durante a contagem e voltou à liderança com o avanço da apuração dos votos do exterior, onde teve desempenho melhor. Após retornar à segunda posição, o candidato de esquerda passou a contestar o resultado. Sánchez alegou fraude sem apresentar provas e afirmou que não reconheceria a vitória de Fujimori. A campanha do esquerdista também tentou anular votos do exterior, mas os recursos não prosperaram. A esquerda promete realizar manifestações pelo país.
Keiko Fujimori chega ao poder em sua quarta tentativa de vencer a Presidência. Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, que governou o Peru entre 1990 e 2000, ela havia sido derrotada nos segundos turnos de 2011, 2016 e 2021. Desta vez, sua campanha apostou principalmente em propostas de segurança pública, endurecimento contra o crime e recuperação da ordem institucional. Na Colômbia, a vitória de Espriella também ocorreu após uma campanha centrada em segurança, combate ao narcotráfico, críticas às políticas do governo de esquerda de Gustavo Petro e promessa de maior aproximação com os Estados Unidos.
O novo mapa político pode favorecer a agenda regional do governo do presidente Donald Trump na América Latina, especialmente nas áreas de combate ao crime organizado, narcotráfico e terrorismo. Washington espera ampliar a cooperação em segurança com os governos alinhados à Casa Branca no continente.
Com a vitória de Keiko, a direita agora está no comando de 12 países da América Latina. Na América do Sul, a direita passa a governar 7 dos 12 países independentes da região, enquanto a esquerda fica com 5.
No início deste mês, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que o chamado Escudo das Américas, aliança regional criada por Washington para combater o crime organizado, o narcotráfico e o terrorismo, deveria crescer à medida que eleições mudassem governos em países latino-americanos. Atualmente, o Escudo das Américas conta com a participação de países como Argentina, Bolívia, Chile, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá e Paraguai. A Colômbia ainda não integra formalmente a aliança, mas Abelardo de la Espriella já declarou que pretende aderir à iniciativa ao assumir a Presidência. No Brasil, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro também afirmou recentemente que, se vencer a eleição deste ano, pretende integrar o país ao Escudo das Américas e ampliar a cooperação com os Estados Unidos nas áreas de segurança pública, combate ao narcotráfico e defesa.
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