
Aos 46 anos, o presidente eleito do México, Enrique Peña Nieto, não está preocupado com as acusações de fraude eleitoral feitas por alas da esquerda. O político do Partido Revolucionário Institucional (PRI) defende o diálogo com a oposição visando às reformas estruturais a partir de 1.º de dezembro, quando tomará posse. Em visita ao Brasil, ele conversou ontem com a Agência O Globo, após se reunir com a presidente Dilma Rousseff.
O senhor disse que pretende realizar reformas, especialmente na área trabalhista. Como conseguir esse objetivo num país que tem sindicatos tão fortes? O fato de O PRI não ter maioria no Congresso mexicano não seria um obstáculo?
Há um bom clima político no meu país. Um maior ambiente de civilidade e amadurecimento em todas as esferas políticas, na direita e na esquerda. Todos estão interessados em dar sua contribuição para as reformas estruturais que o país necessita.
As eleições terminaram de maneira complicada, com acusações de fraude e compra de votos, principalmente por parte de seu adversário, López Obrador. Como o senhor lida com essas acusações? Haverá algum problema de legitimidade, como enfrenta até hoje o atual presidente, Felipe Calderón?
Vejo um clima completamente distinto. A eleição foi um processo exemplar e não há provas e elementos que demonstrem que houve fraude. A Justiça eleitoral reafirmou a validez da votação e estamos todos convencidos de que o momento é de empreendermos um novo caminho, que é o da modernização e das reformas estruturais.
O México passa por momentos difíceis, por causa do crime organizado. Qual o primeiro passo para combater as organizações criminosas?
O tema segurança não é privativo do México. Faz parte da região e, para os mexicanos, é prioritário e sensível. Faremos ajustes na estratégia em vigor. Vamos buscar maior colaboração entre os vários níveis de governo, contratar mais pessoas para a segurança pública e fazer uso maior da inteligência para combater de maneira focada as organizações criminosas.
O México resolveria isso sozinho ou contaria com a ajuda de parceiros, como os Estados Unidos?
Estou aberto a toda forma de apoio. Um tema tão importante deve levar em conta a colaboração com o esforço do nosso governo nessa matéria, sem perdemos nossa soberania.
Nos últimos anos, o México tem se distanciado de governos tidos como de esquerda e estado mais próximo dos EUA. Como será sua relação como os presidentes Hugo Chávez (Venezuela), Rafael Correa (Equador) e Cristina Kirchner (Argentina)?
Quero construir uma relação de diálogo e respeito com todos os presidentes da América Latina e do Caribe. Estou disposto a dar maior atenção a esses países e firmar acordos, sempre com respeito à soberania dos povos. Tendo isso como premissa, interessa-me ter uma relação cordial, respeitosa e construtiva. O fato de minha primeira viagem ao exterior como presidente eleito ser a América Latina deixa claro qual será minha prioridade.
Como México e Brasil podem trabalhar juntos sem disputar a liderança na região?
Somos as duas economias mais importantes da região e, em vez de competirmos entre nós, devemos buscar a cooperação, a complementariedade e tomarmos decisões conjuntas nos fóruns e organismos multilaterais.



