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Pós-guerra

Violência sectária no Iraque deixa 162 mil refugiados

Dezenas de milhares de iraquianos deixaram suas casas temendo a violência sectária que piorou no país há dois meses, desde a formação de um governo de união nacional apoiado pelos Estados Unidos, indicam dados oficiais divulgados na quinta-feira. O Ministério da Migração disse que mais de 30 mil pessoas foram registradas como refugiados apenas em julho.

- Consideramos isso um sinal perigoso - disse o porta-voz do ministério Sattar Nowruz, admitindo que muitos mais partiram para o exterior ou buscaram abrigo com parentes sem pedir ajuda estatal ou se mudar para acampamentos.

O aumento leva o total de registrados para receber ajuda governamental a 27 mil famílias -- cerca de 162 mil pessoas -- num período de cinco meses desde que um atentado a uma mesquita xiita de Samarra, em 22 de fevereiro, lançou uma nova fase no conflito iraquiano.

- Essas famílias estavam ameaçadas em várias partes do Iraque e isso as forçou a abandonar suas casas - disse Nowruz. Segundo ele, o ministério está preparando novos acampamentos com tendas para os refugiados.

A Organização das Nações Unidas (ONU) se aliou ao embaixador e ao comandante militar dos EUA ao fazer um alerta sobre o nível da violência no Iraque, três meses após a indicação de Nuri al-Maliki como primeiro-ministro e dois meses após a posse de sua coalizão, formada por sunitas, curdos e xiitas.

Maliki incluiu o retorno dos refugiados como um dos 33 pontos de sua plataforma de governo, revelada em 20 de maio. Desde então, dezenas de milhares de pessoas continuaram a deixar suas casas, algumas para sempre, outras esperando voltar quando a situação acalmar.

Quatro dos ataques mais sangrentos deste ano ocorreram em julho -- dois atentados da Al-Qaeda com carros-bomba em mercados xiitas em Bagdá e Kufa e duas ofensivas a tiros, um deles num bairro sunita da capital, o outro perto de Mahmudiya. Apenas essas quatro ações deixaram ao menos 220 mortos.

Mas, de acordo com um relatório publicado pela ONU esta semana, essas vítimas são apenas uma pequena parte do total de vítimas fatais. A ONU estima que cerca de 100 civis morram diariamente no Iraque e diz que a situação está piorando.

Líderes sunitas acusam esquadrões da morte xiitas, alguns ligados a partidos do governo e com atuação dentro da polícia, de praticar uma "limpeza étnica" ao estilo dos Bálcãs. Os xiitas, por sua vez, culpam os militantes sunitas, que enfrentam a ocupação americana e o governo liderado pelos xiitas nos últimos três anos.

A ONU alertou esta semana sobre os perigos de um novo ciclo vicioso em que a existência de refugiados alimenta o ódio, que por sua vez leva a mais refugiados.

Os sunitas e outras minorias vêm abandonando o sul, enquanto os xiitas deixam áreas ao redor de Bagdá e no norte. Há um componente étnico aos movimentos da população, com curdos e árabes se mudando para evitar ficar ao lado de vizinhos hostis. Em Bagdá, o rio Tigre está se tornando uma fronteira entre o oeste sunita e o leste xiita, definições geográficas que têm deixado muitos dos 7 milhões de habitantes do lado "errado".

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