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Estilo de vida

WWF diz que consumismo desvairado ameaça o planeta

Documento produzido pelo Fundo Mundial para a Natureza indica que o consumo exagerado do "capital natural" coloca em perigo a futura prosperidade do mundo

Entidade ressalta que mais de três quartos da população mundial vivem em países em que os níveis de consumo superam em velocidade a renovação do meio ambiente | NASA Goddard Space Flight Center/Reuters
Entidade ressalta que mais de três quartos da população mundial vivem em países em que os níveis de consumo superam em velocidade a renovação do meio ambiente (Foto: NASA Goddard Space Flight Center/Reuters)

Os recursos naturais da Terra estão se exaurindo tão rapidamente que "dois planetas" seriam necessários para manter o atual estilo de vida da humanidade por mais uma geração, afirmou o grupo ambientalista WWF nesta quarta-feira (29).

A entidade, com sede na Suíça e também conhecida como Fundo Mundial para a Natureza, disse na edição mais recente de seu Relatório sobre o Planeta Vivo que mais de três quartos da população do mundo vivem em países cujos níveis de consumo superam em velocidade a renovação do meio ambiente.

No documento, o grupo concluiu que o consumo exagerado do "capital natural" coloca em perigo a futura prosperidade do mundo, gerando impactos evidentes na economia, tais como a elevação do preço dos alimentos, da água e da energia.

"Se as nossas demandas em relação ao planeta continuarem a aumentar na mesma proporção, na metade dos anos de 2030 precisaríamos do equivalente a dois planetas para mantermos o mesmo estilo de vida", afirmou James Leape, diretor-geral do WWF International.

Jonathan Loh, da Sociedade Zoológica de Londres, disse que as dramáticas perdas ecológicas resultantes da poluição, do desmatamento, da pesca predatória e da utilização comercial de terras exerciam um grave impacto.

"Estamos agindo do ponto de vista ecológico da mesma forma como as instituições financeiras agiram do ponto de vista econômico - saindo em busca da gratificação imediata sem pensar nas consequências futuras", afirmou Loh em um comunicado divulgado junto com o relatório do WWF.

"As consequências da crise ecológica mundial são ainda mais graves do que as da atual crise econômica," afirmou.

Segundo o documento, a taxa mundial de destruição do meio ambiente excede hoje, em 30 por cento, a capacidade do planeta em regenerar-se. Os EUA e a China são os países mais destrutivos do mundo, afirmou o WWF.

Já quanto ao índice per capita, os norte-americanos e os australianos são os mais destrutivos, seguidos dos moradores dos Emirados Árabes Unidos, do Kuwait e da Dinamarca.

Os que menos destroem são os moradores de Bangladesh, do Congo, do Haiti, do Afeganistão e do Malauí, afirmou o WWF. Regionalmente, apenas países africanos, latino- americanos, caribenhos e europeus que não integram a União Européia (UE) encontram-se dentro de sua "biocapacidade".

As emissões resultantes da queima de combustíveis fósseis - problema a ser combatido por um pacto que sucederia ao Protocolo de Kyoto - encontram-se entre os maiores responsáveis pelo problema, disse o WWF.

Leape afirmou que os líderes mundiais precisam colocar a questão ecológica no topo de suas agendas e garantir que o meio ambiente seja levado em conta na tomada de decisões sobre o consumo, o desenvolvimento, o comércio, a agricultura e a pesca.

"Se a humanidade tiver a determinação necessária, é possível viver com os meios oferecidos pelo planeta. Mas nós precisamos reconhecer que a retração do crédito ecológico demandará medidas ainda mais drásticas do que as exigidas pela crise financeira", afirmou Leape.

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