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A maioria dos moradores de Xangai só pode sair de casa para as sessões de testagem em massa. A cidade está em lockdown desde 1.º de abril.
A maioria dos moradores de Xangai só pode sair de casa para as sessões de testagem em massa. A cidade está em lockdown desde 1.º de abril.| Foto: Alex Plavevski/EFE/EPA

Os moradores de Xangai, que estão entrando na terceira semana de lockdown, estão sendo “educados” por robôs e vigiados por drones, como parte da estratégia do governo comunista chinês em manter sua política de “Covid zero”, trancando os moradores de cidades inteiras na tentativa de controlar os contágios. Xangai é a cidade mais populosa da China, com 25 milhões de habitantes, e desde o início de março registrou 300 mil casos de coronavírus. Um dos maiores centros financeiros do mundo se transformou subitamente em uma cidade fantasma em 1.º de abril; no dia 12, alguns poucos bairros sem registro de novos casos tiveram as restrições reduzidas, mas a maioria da cidade segue em quarentena rígida.

Um robô de quatro “patas” apelidado de “Ovo Preservado”, em referência ao prato da culinária chinesa, passeia pelas ruas dos bairros de Xangai com um megafone atado à sua estrutura, veiculando conselhos como “use máscara”, “verifique sua temperatura” e “lave as mãos”. O cão-robô chegou a entrar nos prédios de apartamentos nas ocasiões em que foram realizadas testagens noturnas em massa, convocando os moradores para a coleta de amostras.

Wang Yushuo, o operador do robô, falou ao jornal Financial Times e afirmou que “Ovo Preservado” faz de três a quatro “passeios” diários, dependendo da duração da bateria. Mas o cão-robô não é o único equipamento usado pelo governo chinês para manter os moradores de Xangai em casa. Além das habituais câmeras que já monitoram normalmente os cidadãos, drones têm sido usados para fiscalizar o cumprimento do lockdown e advertir a população.

O lockdown foi adotado sem aviso prévio, e a maioria dos moradores de Xangai não teve como se preparar estocando comida e outros itens de primeira necessidade. A maioria dos mercados está fechada, forçando o uso de aplicativos de entrega – como os poucos suprimentos acabam rapidamente assim que são repostos, chineses com habilidade em programação chegaram a desenvolver códigos caseiros para monitorar estoques e fazer as compras assim que os alimentos aparecem nas lojas. Um deles disse que, em 15 dias de lockdown, tudo o que recebeu do governo municipal foi uma sacola com sete batatas, sete cebolas, quatro tomates, um repolho, três rabanetes e um pedaço de carne, tudo para seis pessoas.

Protestos contra a falta de alimentos já ocorreram em partes da cidade; durante um deles, no bairro de Jiuting, um drone da polícia sobrevoou os manifestantes: “Não causem problemas ou se aglomerem ilegalmente, ou serão legalmente responsabilizados”, dizia a máquina, segundo o relato de um morador da área ao Financial Times. Outro morador da cidade ouvido pelo jornal passou a manter as cortinas fechadas depois de ver um drone voando perto do prédio onde mora. Habitantes de Xangai contaram ao jornal Washington Post que muitos questionam a severidade das medidas, já que a maioria dos casos não é grave, e que vários moradores têm mais medo de serem enviados a hospitais de campanha ou centros de quarentena improvisados que do vírus em si.

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