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O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou nesta sexta-feira (25) que Donald Trump tomou uma “decisão final” para autorizar o país a produzir, sob licença dos Estados Unidos, mísseis interceptadores utilizados pelos sistemas de defesa aérea Patriot. Segundo o líder ucraniano, Trump comunicou a decisão durante o encontro entre os dois na terça-feira (22), em Nova York, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas.
“Em nosso encontro, o presidente Trump destacou que tomou sua decisão final: a Ucrânia receberá licenças para produzir mísseis Patriot”, disse Zelensky a jornalistas.
O presidente ucraniano não informou quando a fabricação poderá começar, nem qual será a capacidade das futuras linhas de produção. A Casa Branca também não se manifestou publicamente sobre a nova declaração de Zelensky até esta sexta-feira.
A autorização é considerada estratégica por Kiev porque os Patriot são a principal defesa da Ucrânia contra os mísseis balísticos empregados pela Rússia em ataques contra cidades e instalações de infraestrutura. A Ucrânia enfrenta neste momento uma escassez de interceptadores, situação agravada pela elevada demanda mundial por esse tipo de armamento.
O anúncio de Zelensky representa um novo capítulo de uma negociação que avançou e recuou nos últimos meses. Trump havia anunciado publicamente durante a cúpula da Otan em Ancara, em julho, que os Estados Unidos dariam à Ucrânia uma licença para fabricar interceptadores do Patriot. Na ocasião, o presidente americano destacou o caráter defensivo do armamento.
A implementação, porém, encontrou obstáculos. No fim de julho, o Pentágono ainda avaliava onde os interceptadores poderiam ser fabricados, quais modelos fariam parte do acordo e como seria dividida a produção entre Estados Unidos e outros países. Lockheed Martin e Raytheon, empresas envolvidas na fabricação dos componentes e mísseis do sistema, também mantinham discussões iniciais com Washington.
Trump posteriormente colocou a autorização em dúvida. Em uma reunião de seu gabinete no fim de julho, afirmou que Washington ainda não havia fechado o acordo e citou a sensibilidade da transferência da tecnologia. Em agosto, o acordo continuava indefinido, apesar de Zelensky sustentar que havia obtido sinal verde político dos Estados Unidos.
Produção ainda pode levar tempo
Ter uma licença americana não significa que a Ucrânia poderá começar imediatamente a fabricar os mísseis. O Patriot reúne componentes produzidos por diferentes empresas e alguns dos interceptadores mais modernos utilizam tecnologias cuja transferência é rigidamente controlada pelos Estados Unidos.
A Ucrânia tem demonstrado interesse principalmente no PAC-3 MSE, uma das versões mais avançadas do interceptador, projetada para destruir mísseis balísticos, mísseis de cruzeiro e aeronaves. Atualmente, a Lockheed Martin é a principal fabricante do PAC-3 MSE.
Especialistas da indústria de defesa já alertaram que a criação de uma linha ucraniana pode levar anos, devido à necessidade de transferência de tecnologia, construção de instalações, treinamento e formação de uma cadeia de fornecedores. A produção americana também enfrenta gargalos em componentes especializados.
Os Estados Unidos vêm tentando ampliar a oferta desse tipo de armamento. Em julho, o Exército americano elevou para até US$ 58,62 bilhões o valor de um acordo plurianual com a Lockheed Martin para a fabricação de interceptadores PAC-3 MSE até 2032, em uma tentativa de aumentar a capacidade industrial diante da forte demanda dos Estados Unidos e de seus aliados.
Zelensky defende há meses que a produção dentro da Ucrânia reduziria a dependência de entregas externas. Em julho, ele afirmou que, com uma licença dos Estados Unidos, a indústria ucraniana poderia produzir interceptadores não apenas para suas próprias forças, mas também para países parceiros.







