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Dois assistentes-chefes da polícia de Seattle são impedidos por manifestantes de entrar na recém criada Zona Autônoma de Capitol Hill, 11 de junho de 2020
Dois assistentes-chefes da polícia de Seattle são impedidos por manifestantes de entrar na recém criada Zona Autônoma de Capitol Hill, 11 de junho de 2020| Foto: Jason Redmond / AFP

Os manifestantes que têm ido às ruas dos Estados Unidos desde a morte de George Floyd, há três semanas, pedem por amplas reformas no sistema policial dos Estados Unidos, incluindo cortes no financiamento das corporações e transferência dos gastos para projetos sociais. Em Seattle, os manifestantes foram além, ocupando desde a segunda-feira passada uma área de seis quadras da cidade que passaram a chamar de "zona autônoma de Capitol Hill" (Chaz, na sigla em inglês), forçando a polícia a deixar uma delegacia da região.

A ocupação depois passou a ser chamada de "Protesto Organizado de Capitol Hill", ou "Chop".

Após choques entre manifestantes e policiais, a delegacia de polícia do local foi abandonada na segunda-feira (8). Ela foi fechada com o objetivo de reduzir a violência dos protestos, noticiou a Fox News. Nas noites anteriores, a polícia usou gás lacrimogêneo e spray de pimenta para dispersar os manifestantes e houve relatos de disparos de tiros. Um homem avançou com o seu carro contra a multidão no domingo (8) e saiu do veículo com uma pistola na mão. Em meio ao incidente, um manifestante foi levado ao hospital com ferimento a bala. No estado de Washington, é permitido portar armas abertamente.

A polícia de Seattle lacrou as portas e janelas da delegacia antes de deixar o distrito. Os manifestantes, então, picharam as tábuas com dizeres como "Propriedade do Povo" e "Departamento das Pessoas de Seattle". Uma das suas demandas é que a delegacia seja transformada em um centro comunitário.

As autoridades municipais e estaduais permitiram que a ocupação continuasse. A prefeita de Seattle, Jenny Durkan, comparou a atmosfera da manifestação à de uma "festa de rua". "Esse não é um golpe armado. Essa não é uma junta militar", disse Durkan em entrevista à CNN.

Mas a chefe da polícia local, Carmen Best, demonstrou preocupação com situação. Na sexta-feira (12), Best disse em entrevista ao programa de televisão Good Morning America que a ocupação está criando perigo na vizinhança ao prejudicar o tempo de resposta da polícia a chamados de urgência. "Estou muito brava com a situação que temos e nesse momento queremos apenas que as coisas se resolvam. Enquanto eu realmente apoio a liberdade de expressão da Primeira Emenda, esse não é um caso", afirmou.

Já o presidente Donald Trump comentou no Twitter que "terroristas domésticos" tomaram Seattle, que é "comandada por democratas da esquerda radical", e que os democratas "acham maravilhoso" a tomada da cidade por "anarquistas".

Trump ainda disse que a prefeita Jenny Durkan e o governador de Washington, o democrata Jay Inslee, estão sendo "ridicularizados". "Tomem de volta a sua cidade agora. Se não fizerem isso, eu o farei. Esses anarquistas feios devem ser detidos imediatamente", completou o republicano.

Na terça-feira passada, centenas de manifestantes marcharam até a prefeitura pedir que a prefeita corte o financiamento da polícia ou renuncie.

A chefe da polícia Carmen Best deixou claro que não foi decisão dela abandonar a delegacia e disse que quer fazer um acordo que permita o retorno da polícia e que pretende reduzir a presença policial no bairro. Mas as negociações não tiveram sucesso até agora, em parte porque a polícia não sabe com quem negociar, já que não há uma liderança clara na ocupação, segundo noticiou a NPR.

Um policial disse à Fox News na sexta-feira passada que, embora a maioria dos protestos na área têm sido pacíficos, há relatos de que os moradores e comerciantes locais precisam se identificar para circular e que alguns líderes dos protestos começaram a "extorquir dinheiro de negócios locais dentro do perímetro para 'proteção'". A região, próxima ao centro da cidade, concentra um grande número de bares, restaurantes e lojas.

O National Review relatou que, embora não seja perigoso entrar na zona, também não é exatamente pacífico. "Seguranças, alguns armados, estão posicionados em barreiras fortificadas com barricadas de metal e plástico. Apenas uma entrada permite a passagem de motoristas, que precisam antes passar pelo controle de um dos seguranças", disse a reportagem. Um dos manifestantes disse que a entrada e saída de pessoas é monitorada para identificar supremacistas brancos que, segundo eles, podem aparecer para causar problemas.

No domingo (14), o chefe do Departamento de Bombeiros de Seattle, Harold Scoggins, conversou com representantes dos manifestantes, proprietários de negócios e moradores do local sobre como reabrir a área para o tráfego e o comércio, segundo o jornal local Seattle Times. No mesmo dia, Carmen Best disse que a polícia "nunca mais será a mesma" e que o movimento levará o departamento de Seattle "a uma direção diferente".

Ela também falou sobre uma marcha que reuniu 60 mil pessoas nas ruas da cidade na sexta-feira. "Vi muitas pessoas mostrando cartazes pedindo o desfinanciamento da polícia, o fim da brutalidade policial e procurando resolver a questão da imunidade policial", disse Best em entrevista a um canal de televisão. "Precisamos reimaginar e reconfigurar como vamos seguir adiante como país e como organização para tornar as coisas melhores para todos", acrescentou.

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