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50 mortos, como eu e você

Não basta rezar por Orlando. É preciso que se tome uma atitude severa contra o preconceito e a estupidez humanos

  • PorFlávio St Jayme
  • 13/06/2016 16:21

De quando em quando uma tragédia abala o mundo e “causa comoção nas redes sociais”. É quase como um ciclo. Infelizmente não estamos livres de desastres naturais. E, mais infelizmente ainda, parece que estamos cada vez menos livres de barbáries causadas pelo homem. Bombardeios, atentados em lugares públicos, atiradores.

No último sábado, um homem ligado ao Estado Islâmico entrou atirando em uma boate gay em Orlando, na Flórida. O resultado: 50 mortos e 53 feridos (até o momento). A maioria das vítimas era de homens, com idades a partir de 18 anos. O motivo? Ódio. Preconceito. Ignorância. Extremismo. Chame do que quiser. Eu prefiro chamar de falta de humanidade.

O que faz com que uma pessoa sinta tanto ódio de alguém que não é igual a si a ponto de matar desconhecidos? Omar Mateen, o atirador, era filho de afegãos. Segundo o pai, era homofóbico a ponto de quase perder o controle quando viu dois homens se beijando semanas atrás. Foi esta sua principal motivação.

Infelizmente a comunidade gay ainda é um alvo fácil. Seja por determinados “comportamentos característicos”, seja por precisar ainda de guetos como “boates gays”. Infelizmente este alvo fácil foi o alvo do ódio de Omar.

Em 2015, 318 homossexuais foram assassinados no Brasil. Orlando não está tão distante de nós

Em um mundo cada vez mais conectado, cada vez mais esclarecido, onde pessoas expressam seus pensamentos cada vez mais calorosamente, onde amigos brigam por ideologias e grupos extremos de quaisquer lados discutem via Facebook e Twitter, ainda somos obrigados a conviver com este tipo de pensamento retrógrado. É assustador ver como algumas pessoas reagiram ao ataque, afirmando que o que Omar fez foi “bem feito”, que os gays “merecem” este tipo de punição.

Ainda não consigo entender como ser gay afeta quem não é. É como dizem: “se você é contra o casamento gay, não case com um gay”. O fato de um homem poder casar com outro em nada vai afetar a sua vida se você não for um destes homens. O fato de duas mulheres poderem gerar um filho juntas não vai lhe afetar se você não for uma delas. O modo como duas pessoas vivem sua vida não vai afetar a sua, então por que se importar tanto?

A tragédia deste fim de semana – a maior causada por armas de fogo nos Estados Unidos e a segunda maior do país, somente atrás dos atentados de 11 de setembro de 2001 – não teve motivações religiosas nem ideológicas. Foi o ataque de um único homem que achou por bem tirar a vida de outros seres humanos diferentes dele. Onde já vimos isso na história mesmo?

Ao mesmo tempo em que estamos cada vez mais “livres” para sermos como quisermos, percebemos certa parcela da população andando para trás. Não gostar do modo de vida de alguém lhe dá o direito de atentar contra a vida dessa pessoa? Não basta rezar por Orlando. É preciso que se tome uma atitude severa contra o preconceito e a estupidez humanos. Em 2015, 318 homossexuais foram assassinados no Brasil. Orlando não está tão distante de nós.

Num lugar conhecido pela diversão, pelos estúdios de cinema, pelo Walt Disney World, Omar causou uma tragédia que vai marcar a história e morreu em confronto com a polícia. Mas levou consigo 50 pessoas. Não 50 homossexuais, mas 50 seres humanos. Filhos, maridos, pais, irmãos. Pessoas como eu e você. Seja você gay ou não.

Flávio St Jayme, jornalista e empresário com formação em Pedagogia e História da Arte, é sócio-proprietário da agência Clockwork Comunicação, coautor do livro infanto-juvenil “As Crônicas de Miramar” e mantém o site de entretenimento Pausa Dramática.
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