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A CNBB precisa ouvir os leigos
| Foto: Reprodução/YouTube

Os leigos, isto é, os católicos comuns, realmente exercem seu lídimo direito de manifestação quando se insurgem contra atos um tanto quanto incomuns da hierarquia (cânon 212, §3.º). Pensemos, por exemplo, no viés politicamente correto do texto-base da Campanha da Fraternidade de 2021, o qual empregou alguns conceitos incompatíveis com a doutrina cristã, sem explicitá-los.

Certamente têm razão os bispos, ao verberarem determinados grupos laicais tradicionalistas, que não aceitam o caráter vinculante do Concílio Vaticano II nem a “missa de sempre”, ou seja, aquela da qual participamos todo domingo em 100% das paróquias do Brasil, além de ignorarem sumariamente o papa Francisco. No entanto, como pastores que pregam o diálogo como valor supremo, nossos antístites, máxime a cúpula da CNBB, não devem desprezar totalmente as diatribes dos leigos “reacionários”, porquanto tais irmãos não têm razão, mas têm razões, já que algumas de suas críticas revelam o descontentamento dos leigos no Brasil, sequiosos de que a conferência dos bispos enfoque o sobrenatural, sem descurar, é claro, as realidades terrestres, igualmente objeto do Evangelho de Nosso Senhor.

Muitos leigos nutrem a impressão de que a CNBB virou uma ONG. Sempre é preciso retornar às raízes católicas. Nesse sentido, há uma pessoa que decerto auxiliará bastante: Maria Santíssima. Se a conferência episcopal de nosso país quiser manter a fidelidade ao Evangelho, somente a intercessão de Nossa Senhora propiciará resultados evangelicamente frutíferos. Em outras palavras, a CNBB tem de ser mais mariana, até mesmo para se ocupar da devoção do povo simples, soerguendo-a e purificando-a. Quanto mais mariano, mais católico!

Reputo errônea e antipastoral a reação de alguns bispos que simplesmente desdenham das lamentações do tradicionalismo, mas não são capazes de aquilatar a essência da insatisfação, enxergando algo de positivo que suscite a autocrítica. Não! Algumas autoridades eclesiásticas raciocinam da seguinte maneira: a CNBB está corretíssima e o Centro Dom Bosco, por exemplo, está erradíssimo!

Recentemente, durante a 59.ª Assembleia Geral, 43 bispos abstiveram-se de assinar a “Nota da CNBB ao Povo Brasileiro”. Por quê? Explica um bispo do Regional Sul 1 da CNBB: “Os motivos se devem a certos aspectos do texto não promoverem a comunhão entre os fiéis e representarem clara tendência ideológica que colaborará para maior desprestígio da conferência da Igreja Católica”. Alvíssaras! Bom número de membros da conferência episcopal parece não fazer ouvidos moucos às críticas dos leigos.

Edson Luiz Sampel é professor do Instituto Superior de Direito Canônico de Londrina, membro da Sociedade Brasileira de Canonistas e presidente da Comissão Especial de Direito Canônico da OAB-SP.

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