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Ato do MBL convocando para os protestos de 12 de setembro.
Ato do MBL convocando para os protestos de 12 de setembro.| Foto: Divulgação

A baixa adesão aos protestos realizados no último domingo, dia 12, encabeçados pelo Movimento Brasil Livre e com aderência de políticos e partidos do chamado “centro”, mostraram a falta de demanda eleitoral para a chamada “terceira via”, alternativa ao presidente Jair Bolsonaro e ao ex-presidente Lula, na disputa eleitoral de 2022.

Mesmo em momento de baixa popularidade apontada pelas pesquisas, Bolsonaro mantém consolidado um apoio em torno de 25% da população. Antes rotulada apenas como “antipetista”, este grupo canalizou seu apoio a Bolsonaro, que se apresentou como pioneiro na defesa dos valores conservadores e das ideias da direita após o fim do governo militar.

Já Lula, apesar dos numerosos e volumosos escândalos de corrupção que pesam sobre seu governo e sua pupila, Dilma Rousseff, e que inclusive lhe renderam uma temporada na prisão, mantém conexão com a fatia mais pobre do eleitorado, devido aos programas sociais e à lembrança dos tempos de bonança econômica – fruto do boom nos preços das commodities, mas que são identificadas com sua gestão na Presidência.

Entusiastas da “terceira via” acreditam que, entre esses dois grupos, existe um outro, de eleitores “moderados”, “centristas”, que “rejeitam os extremos”. Tal eleitor compartilharia de visões “progressistas” a respeito da sociedade e também seria favorável a uma menor participação do Estado na economia. De acordo com essa visão, a demanda por um candidato com esse perfil seria alta.

No entanto, os defensores da “terceira via” ignoram (ou deixam passar) um aspecto importante da história eleitoral brasileira. Desde 1989, as eleições presidenciais no Brasil seguem o padrão de polarização entre governo e oposição. As exceções foram as disputas de 1989 e 2018, nas quais os governos de então estavam tão fragilizados que fizeram a competição ser entre alternativas da própria oposição.

E o eixo das disputas presidenciais foi a situação econômica do país, traduzida no índice de desemprego e no poder de compra dos cidadãos. Em resumo: desemprego em baixa e consumo em alta são garantias de vitória do governo; do contrário, a oposição é quem sai vitoriosa. Não importa a ideologia de quem lidere cada lado.

Nesse ponto, reside a grande ilusão da “terceira via”: o eleitor que não se posiciona ou demonstra paixões políticas não é um centrista. Aliás, o centrista existe e se posiciona tanto quanto lulistas e bolsonaristas. Porém, em número bem menor (como demonstrado nas manifestações).

Já o eleitor silencioso, que de fato representa grande parcela da população, pouco liga para o cotidiano político. Discussões filosóficas e sociológicas não lhe interessam. Ele está preocupado em garantir o próprio sustento e da família, além de usar o tempo livre para atividades de lazer. Ele já votou no centrista Fernando Henrique Cardoso, também já elegeu Lula e, na última eleição, deu um voto de confiança a Bolsonaro.

Geralmente, este eleitor apenas deixa para decidir seu voto perto da eleição. Conforme já mencionado, o fator que o mobiliza é a situação econômica. Se estiver tudo andando bem, é voto no governo. Do contrário, é voto na oposição. Novamente, este eleitor se prepara para decidir mais uma disputa eleitoral. E a questão a ser respondida é simples: mantém-se a atual política econômica, de viés liberal, ou retorna-se aos tempos de maior estatismo do governo petista?

Afinal de contas, se a economia estiver mal, por que votar em PSDB ou Novo, que também irão falar sobre reformas e redução do Estado em seus programas econômicos? Neste caso, por que votar em Ciro Gomes, que promete um novo tipo de estatismo, se o estatismo petista já se mostrou “eficiente” em período passado? E, claro, se a economia estiver bem, por que mudar o governo, se em time que está ganhando não se mexe?

Desta forma, a bola está com Bolsonaro e sua equipe. O piso está consolidado, cabe agora buscar uma melhora nos indicadores de inflação e desemprego para que o retorno ao passado estatizante do petismo não seja visto como a melhor alternativa na eleição de 2022. Enquanto isso, a “terceira via” se perde ao debater questões que não interessam ao eleitor silencioso e também não agregam petistas e bolsonaristas. Em síntese, a “terceira via” prega para os seus (poucos) convertidos e torce pelo impedimento de um dos dois candidatos para ter alguma chance eleitoral.

Victor Oliveira é mestre em Instituições e Organizações e especialista em Marketing Político e Comunicação Eleitoral.

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