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 | Rafael Neddermeyer/Fotos Públicas
| Foto: Rafael Neddermeyer/Fotos Públicas

Com uma crise politica que não acaba, o governo se vê em um emaranhado do qual não consegue sair. Denúncias, compra de votos para manter sua base aliada dentro do Congresso, escândalos envolvendo os membros do alto escalão e a estagnação da sua equipe econômica fazem com que Temer não consiga esconder sua incompetência para tirar o país da crise econômica. E pior, deixa áreas estratégicas para o crescimento nacional minguarem por falta de investimentos.

Segundo o jornal O Globo, os setores de gás, telecomunicações, rodovias e ferrovias estão deixando de receber cerca de R$ 102 bilhões há quase um ano porque o governo não consegue votar novas regras para esses setores.

É no mínimo antagônico parar o país para querer que ele avance.

Os cortes também fazem parte desse quadro desolador para nossa economia. Anunciado no fim de julho, o contingenciamento no orçamento de 2017 fez com que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) perdesse R$ 16,4 bilhões de um total de R$ 36,1 bilhões previstos na Lei Orçamentária para este ano, chegando a uma redução total de mais de 45% nos seus investimentos. É o menor orçamento do PAC em oito anos, programa criado no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e responsável pelos principais investimentos públicos em infraestrutura nos últimos anos.

Incrível a equipe econômica de Temer acreditar que o país vai voltar a crescer sem investir um real a mais em infraestrutura, e que seus cortes vão ajudar nos resultados da economia. É no mínimo antagônico parar o país para querer que ele avance.

O cenário caótico não para por aí: o governo vai aumentar seu rombo fiscal, alterando a meta atual de um déficit primário de até R$ 139 bilhões para R$ 159 bilhões ou mais. E, para acertar as contas que não fecham, a solução Temer-PSDB-PMDB vai seguir a mesma fórmula antiga, ultrapassada e entreguista de ampliar concessões e leiloar empresas públicas. O governo vai aumentar para mais 19 terminais as concessões nos aeroportos, entre eles o de Congonhas, um dos que mais dão lucro para a Infraero. A operação renderia mais R$ 10 bilhões para a União, que já investiu cerca de R$ 3,3 bilhões nos mesmos. Além disso, Temer já organiza a entrega de parte do setor elétrico com a venda de usinas da Eletrobrás e leilões de setores de petróleo e gás, com a oferta de blocos do pré-sal das bacias de Campos e de Santos.

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Enquanto Temer abre as portas para o capital privado tomar conta das empresas públicas, sua medida provisória do Refis pretende perdoar multas de empresas devedoras à União. Pelo novo texto do relator da proposta, a arrecadação será reduzida de R$ 13,3 bilhões para apenas R$ 400 milhões. Tenho a impressão de que a equipe econômica tem um caminho alternativo para tapar esse buraco: aumento de impostos para o cidadão, que não aguenta mais sua carga tributária.

Esse é o governo Temer-PSDB-PMDB: paralisia econômica, incompetência e um país que vai sofrer sem os investimentos públicos.

Zeca Dirceu é deputado federal (PT/PR).
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