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Imagem ilustrativa.| Foto: Agência Pará/FotosPúblicas

Com o início da COP-26, a Conferência Mundial do Clima, em Glasgow, na Escócia, evidencia-se que um dos pontos mais importantes dentro do cenário internacional referentes à natureza é a idealização de instrumentos econômicos capazes de gerar incentivos positivos para a preservação do clima e do meio ambiente; ou seja, é necessário que, além dos chamados créditos de carbono, os países apresentem soluções práticas e reais de como irão incentivar empresas, municípios e produtores rurais a preservar o planeta.

Neste contexto, o Brasil traz uma inovação que deve ser apresentada às outras nações e que de fato vai unir elementos da economia e do meio ambiente de forma saudável e construtiva, as chamadas Cédulas de Produtor Rural Verde (CPR Verde). Esse instrumento funciona como o pagamento de um determinado valor ao produtor rural para que mantenha preservada parte de seu terreno, algo que até então não era remunerado, o que na prática gerará um incentivo financeiro salutar para a preservação do meio ambiente.

Essa é a diferença fundamental do CPR Verde, pois o CPR tradicional é um instrumento que existe desde 1994, quando foi instituído pela Lei 8.929. Este instrumento serve para que o produtor possa financiar a safra recebendo valores financeiros e dando como garantia de pagamento o resultado futuro de sua produção rural, como acontece com tradicionais commodities de soja e milho. A partir de agora, a Revolução Verde passa a alterar essas características e gerar ganhos para o produtor e para o planeta. Isso é formidável sob os aspectos de uso e preservação do meio ambiente.

Um dos pontos mais importantes dentro do cenário internacional referentes à natureza é a idealização de instrumentos econômicos capazes de gerar incentivos positivos para a preservação do clima.

Sob o ponto de vista dos negócios, há uma expectativa de que este mercado possa gerar no Brasil cerca de R$ 48 bilhões nos próximos quatro anos e se alinhe com as práticas ESG (sigla em inglês para “Ambiental, Social e Governança”), pois legitima a preservação das florestas, já que ela passa a ser tratada como um ativo de mercado para o qual será possível promover investimento.

No contexto internacional, a apresentação deste instrumento em um fórum como a COP-26 tem um significado ainda maior e mais importante. Primeiramente, é capaz de mostrar que o Brasil ainda pode ser um dos players mais relevantes do planeta quando se fala de preservação ambiental; e pode sinalizar para nações como as da União Europeia que estamos fazendo o dever de casa no setor ambiental, destravando acordos como o UE-Mercosul, o mais importante acordo da história do nosso bloco comercial.

O fato de que agora apresentamos um modelo regulamentado, em que fiscalização, seguros, controles, compliance e outros elementos do mercado financeiro passam a integrar-se diretamente com a preservação ambiental, integra as nossas políticas públicas à credibilidade do mercado internacional, tornando a capacidade de nossas operações ambientais cada vez mais efetiva e menos dependente do orçamento público, pressionado por demandas sociais como educação, infraestrutura e saúde.

Muitos dizem que o Brasil “não perde a oportunidade de perder uma oportunidade”; eu não gostaria de acreditar nisso. Tenho o sentimento de que o século 21 pode ser o século no qual nosso maior ativo, nossa biodiversidade, pode ser usado para uma transformação industrial e social, já que o planeta inteiro terá como foco a restauração e a alteração do meio ambiente pela sobrevivência da humanidade. De fato, essa é a beleza do capitalismo, pois ele sempre se adapta para sobreviver; ele evolui, e nós com ele: o que nos favorece a todos!

Igor Macedo de Lucena é economista e empresário, doutorando em Relações Internacionais na Universidade de Lisboa, membro da Chatham House – The Royal Institute of International Affairs e da Associação Portuguesa de Ciência Política.

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