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Sínteses – O fim dos cobradores nos ônibus de Curitiba

A qualidade do transporte depende da modernização do sistema

A modernização do sistema de transporte púbico de Curitiba necessita da bilhetagem eletrônica, cuja implantação resultará em maior eficácia e em redução de custos do sistema

  • Ogeny Pedro Maia Neto
 | Robson Vilalba/Thapcom
Robson Vilalba/Thapcom
 
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A modernização do sistema de transporte púbico de Curitiba vai muito além da renovação da frota de ônibus, medida retomada desde o fim do ano passado e que será gradualmente efetivada até 2020, com a aquisição de 450 veículos para a cidade. Tão importante quanto isso é resolver outros gargalos acumulados ao longo dos anos e que comprometem sobremaneira a qualidade do transporte coletivo.

Um deles é a bilhetagem eletrônica, cuja implantação resultará em maior eficácia e em redução de custos do sistema. Ao contrário do que vem sendo dito por alguns críticos, essa necessária evolução do sistema não implica em demissões de cobradores. Mas resultará, sim, em importantes benefícios a mais de 1 milhão de passageiros que usam os ônibus da capital diariamente.

Uma das vantagens da bilhetagem eletrônica é a segurança, já que ela tira o dinheiro vivo de circulação e colabora para diminuir assaltos tanto de operadores quanto de passageiros. Um bom exemplo prático vem de Campo Grande (MS), onde a implantação de 100% da bilhetagem no sistema ajudou a quase zerar o número de assaltos dentro dos ônibus.

Uma das vantagens da bilhetagem eletrônica é a segurança, já que ela tira o dinheiro vivo de circulação e colabora para diminuir assaltos

Em Curitiba, 63% dos passageiros usam o cartão-transporte para acessar os ônibus. Com isso, o volume de dinheiro em circulação dos restantes 37% se transforma num grande atrativo para ação de marginais. Em que pesem os esforços dos órgãos de segurança e o uso das câmeras de vigilância, o transporte continuará sendo um forte alvo caso esse dinheiro continue circulando. Neste ano foram registrados 900 assaltos a cobradores em Curitiba.

Uma gestão eficiente também tem obrigação de não ignorar os avanços tecnológicos disponíveis. Monitorar um sistema a partir de dados de bilhetagem eletrônica reduz a possibilidade de fraudes e melhora o planejamento dos serviços. Os passageiros perceberão os avanços na prática, com redução das filas de cobrança e mais agilidade para os embarques.

A Urbs tem programada para 2019 a ampliação dos pontos de recarga do cartão-transporte para que a compra de créditos possa ser feita por aplicativos de celular, totens bancários e pontos do comércio da cidade, com créditos em tempo real. São avanços urgentes, que uma cidade com o histórico de qualidade no transporte como Curitiba não pode mais protelar.

Ação danosa: Desemprego no transporte coletivo (artigo de Lafaiete Neves, professor aposentado da UFPR, doutor em Desenvolvimento Econômico e membro titular do Conselho da Cidade de Curitiba)

A valorosa categoria dos cobradores está ciente dessa situação. Sua mais recente Convenção Coletiva, assinada pelo Sindicato dos Motoristas e Cobradores (Sindimoc) com o Ministério Público do Trabalho, contém uma cláusula prevendo a oferta de cursos de requalificação aos 3.424 cobradores da cidade, de forma que eles possam ser absorvidos em outras funções dentro das próprias empresas de ônibus. Trata-se de uma visão moderna e responsável, que capacita e resguarda os trabalhadores, encaminhando-os a outras funções de forma planejada e sem açodamentos.

O momento de crise pelo qual passa o sistema de transporte público no Brasil exige medidas de sustentabilidade financeira. No modelo atual, o custo dos cobradores da capital é de R$ 0,80 na tarifa técnica, sendo, portanto, importante implantar medidas que ajudem a segurar o valor das passagens.

Curitiba continuará a contar com os serviços dos cobradores ainda pelos próximos quatro anos. Toda e qualquer transição – como é o caso da bilhetagem eletrônica – precisa diminuir impactos aos passageiros e demissões de trabalhadores. É preciso, no entanto, trabalhar, entre outras coisas, com a saída natural (por aposentadoria e pedidos de demissão, por exemplo), de forma a dar gradualismo às mudanças. É o que está sendo proposto em Curitiba, com critério, transparência, diálogo e com a responsabilidade de uma gestão que precisa olhar para a melhoria da coletividade curitibana.

Ogeny Pedro Maia Neto, engenheiro mecânico com MBA pela Fundação Dom Cabral, é presidente da Urbanização de Curitiba S/A (Urbs).

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