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Em nota oficial, a União Nacional dos Estudantes (UNE) diz que “por detrás do requerimento da CPI estava apenas a intenção de calar a juventude e atacar a história da UNE”. A entidade afirma que essa situação é semelhante à observada às vésperas do golpe de 1964, calando a juventude estudantil. Será que estamos diante da criminalização do movimento estudantil?

Esse é o grande problema do pensamento predominante nas universidades brasileiras: a virtude só está onde estão as pautas da esquerda, no pensamento socialista e social-democrata, alimentado por um nacionalismo e um antiamericanismo barato que se construiu após o fim da ditadura. Esses militantes saíram vitoriosos e, como um certo mote diz, contaram e querem contar a história do jeito que bem entendem.

Como legítima herdeira da virtude, a União Nacional dos Estudantes se sente no direito de utilizar a máquina legal do Estado brasileiro para impor opiniões próprias. Cai, então, naquela neura enorme de que tudo deve ser feito em nome de um ideal e aqueles que se opõem a esse ideal são pessoas dotadas de uma maldade intrínseca e incurável. São traidores da pátria e da humanidade.

O ambiente acadêmico foi transformado em um campo de luta

A quem a UNE incomoda?

O movimento estudantil organizado tem sido um dos principais protagonistas na denúncia da pauta conservadora que assolou o Congresso Nacional

Leia o artigo de Carina Vitral, presidente da UNE

Estudantes são divididos entre oprimidos e opressores. Professores não sabem o que fazer porque desejam manter um canal de diálogo com os estudantes, mas os militantes não querem conversa. O ambiente acadêmico é transformado em um campo de luta e a única maneira de escapar disso é saindo da universidade, seja se formando ou trancando o curso.

As greves são apenas uma faceta do autoritarismo militante que os estudantes brasileiros – principalmente os de universidades públicas – sentem todo dia. O corporativismo estudantil que tomou conta do ambiente acadêmico engessa de tal maneira o ensino que só se torna possível trilhar um caminho, o da militância esquerdista.

O Brasil está passando por uma espécie de releitura do que se entende hoje por República. Não sabemos se operações como a Lava Jato, a Zelotes e as que estão por vir passarão o país a limpo, mas uma discussão que vem marcando este momento é a separação entre o público e o privado. Não dá mais para empresas ficarem comprando apartamentos luxuosos através de procedimentos administrativos, não dá mais para artistas usarem de leis de incentivo fiscal para propagandearem um partido, não dá mais para movimentos estudantis utilizarem a máquina pública para impor sua agenda unilateral.

Essa é a grande importância de se defender a instauração da CPI da UNE. Onde estão os R$ 57 milhões que a UNE recebeu do governo do PT? E a sede para a qual foram destinados R$ 30 milhões, onde está? Por que a UNE não mostra ao público estudantil que não se utilizou de fraude para realizar seus projetos? Por que a entidade é agraciada com uma lei que a favorece? Os estudantes brasileiros não merecem essa organização autoritária, retrógrada e ultrapassada.

As universidades brasileiras têm de chegar ao século 21. Os estudantes não podem mais ser reféns dos mandos e desmandos de uma organização que está preocupada com tudo, menos com a união dos estudantes.

João Filippe Rossi Rodrigues, estudante do curso de Direito da Unesp de Franca (SP), é coordenador do movimento Unesp Livre.
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