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Haverá um segundo turno nas eleições chilenas com os candidatos dos extremos: Gabriel Boric, da Frente Amplio, mais à esquerda; e José Antonio Kast (foto), dos Republicanos, à direita da atual coalizão governante.
Haverá um segundo turno nas eleições chilenas com os candidatos dos extremos: Gabriel Boric, da Frente Amplio, mais à esquerda; e José Antonio Kast (foto), dos Republicanos, à direita da atual coalizão governante.| Foto: EFE/Elvis González

A eleição presidencial de 21 de novembro no Chile quebra todos os moldes que foram vistos desde o retorno à democracia. Após um longo período de alternância no poder de dois grandes blocos, sob um sistema eleitoral herdado do governo militar (o “binominal”), desta vez houve sete candidatos presidenciais, mais de 1.200 candidatos a deputados e pelo menos 25% dos eleitores indecisos.

Haverá um segundo turno com os candidatos dos extremos: Gabriel Boric, da Frente Amplio, mais à esquerda; e José Antonio Kast, dos Republicanos, à direita da atual coalizão governante. Quase como no cenário Lula/Jair Bolsonaro que alguns esperam para o próximo ano no Brasil, as propostas de Boric e Kast não poderiam estar mais distantes uma da outra – e também do centro.

O próximo governo não enfrenta um caminho fácil. As equipes de Boric e Kast não têm experiência no governo e terão de ampliar seus círculos e buscar alianças para se encarregar do aparato estatal. Eles passarão os primeiros seis meses na instalação – e, de saída, terão de organizar o plebiscito que deverá aprovar ou rejeitar a Constituição política elaborada pela Convenção Constituinte. E, se o texto for aprovado, deverão iniciar sua implementação. Os mandatos presidenciais e legislativos podem até ser encurtados. A Convenção ainda não escreveu uma nova Carta Magna.

O humor popular não é para experiências. Após a explosão social de 2019 e após quase dois anos de pandemia, o país está mais pobre. É verdade que há uma liquidez abundante na economia graças aos benefícios sociais e às retiradas de fundos de pensão, que impulsionaram o consumo; mas, ao mesmo tempo, aumentaram as pressões inflacionárias internacionais para empurrar os aumentos de preços para níveis não vistos durante décadas. O Banco Central já iniciou um rápido aperto da política monetária. A incerteza política e, mais uma vez, as retiradas de fundos de pensão afetaram longas taxas; portanto, o desembarque após a recuperação pós-pandêmica pode não ser tranquilo.

As exigências sociais que desencadearam a explosão – pensões, saúde, educação – permanecem: não foram feitas grandes reformas nestes dois anos, e até mesmo a modesta reforma previdenciária que o governo tinha conseguido acordar com a Câmara dos Deputados estagnou no Senado. Então, o que acontece? É lógico que quem for eleito procurará alianças para governar e administrar a economia para que a desaceleração não seja muito acentuada e não choque os grupos mais vulneráveis, que também são os mais atingidos pela pandemia. Mas o que a política chilena tem mostrado nas últimas semanas é que o razoável é o menos provável.

María Soledad Camus é sócia e CEO da LLYC Chile.

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