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As marcas do primeiro ano do pontificado de Leão XIV

O papa Leão XIV celebra missa no estádio Luís II, em Mônaco. (Foto: Sebastien Nogier/EFE/EPA)

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O papa Leão XIV está completando um ano de pontificado bastante fértil, com muita dedicação à Igreja e fidelidade a Cristo, de quem ele é o Vigário na Terra. Logo que ele foi eleito papa e se apresentou na sacada da Basílica de São Pedro, notamos algo interessante: estava usando a “mozzetta”, aquela capa curta e vermelha que cobre os ombros e simboliza a autoridade pastoral e o seu ministério universal, resgatando, assim, um sinal importante da autoridade papal.

Outro fato interessante é que Leão XIV é da Ordem Agostiniana, fundada por Santo Agostinho (354–430) há mais de 13 séculos. Certamente ele se apoia muito nas obras e ensinamentos desse grande santo doutor da Igreja, o Padre da Igreja que mais obras publicou, sendo mais de 100 tratados, 250 cartas e mais de 500 sermões.

Os ensinamentos de Santo Agostinho são de tão grande importância para a Igreja que o papa João II (533–535) disse: “As doutrinas que a Igreja romana segue e mantém são as de Santo Agostinho” (Daniel Rops, História da Igreja, vol. II, p. 59). Certamente Leão XIV tem se apoiado nesses sólidos ensinamentos de Santo Agostinho neste primeiro ano de seu pontificado.

Outro fato interessante é ele ter escolhido o nome de Leão, numa referência clara aos grandes papas que escolheram este nome, sobretudo São Leão Magno (400–461), que enfrentou a horda bárbara que derrubou o Império Romano e fez a defesa da fé e da autoridade doutrinal. E também Leão XIII, o papa que deu forte impulso à “Doutrina Social da Igreja” com a encíclica Rerum Novarum, ao enfrentar o perigo do comunismo que se iniciava no mundo.

Notamos, nesse primeiro ano de pontificado de Leão XIV, que, como Santo Agostinho, ele tem procurado fazer uma ponte entre o pontificado de seus antecessores e o futuro, com um olhar atento ao que ocorre nos nossos dias

Ainda na linha de Leão XIII, Leão XIV tem fortalecido o diálogo com o mundo moderno, como recomendou a Constituição Pastoral Gaudium et Spes, do Concílio Vaticano II. Aliás, Leão XIV já disse que seu pontificado, como os de seus antecessores, é baseado nos ensinamentos do Concílio Vaticano II, o que é muito importante para enfrentar essa onda perigosa por parte de alguns padres, bispos e leigos que contestam o citado Concílio.

É nessas linhas de Santo Agostinho e de Leão XIII que temos visto os seus firmes pronunciamentos e ações, nos quais reafirma a necessidade da unidade da Igreja, um tanto abalada, e da clareza doutrinal. Vemos também que ele enfatiza a centralidade em Cristo, a renovação espiritual da Igreja, o combate às divisões doutrinais e pastorais, a busca da unidade, dos valores fundamentais da dignidade humana, a defesa da vida – desde a concepção até a morte –, da família tão atacada hoje, da liberdade humana e o uso do Catecismo da Igreja Católica.

Suas visitas pastorais, em Roma e em outros países, são realizadas em lugares de conflito e de pobreza, como na África, onde esteve recentemente.

No campo da espiritualidade, tem dado ênfase, em suas catequeses semanais (audiências gerais), à necessidade da oração, à Sagrada Escritura, aos Padres da Igreja, à liturgia como centro da vida cristã, ao chamado à santidade, à conversão pessoal, à vida sacramental e à centralidade na Eucaristia.

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Algo interessante é que ele foi à antiga Hipona, hoje chamada de Annaba, no Norte da África, onde Santo Agostinho nasceu, viveu e foi bispo. Depois de convertido, Santo Agostinho deixou Milão, na Itália, e voltou para sua terra natal, onde teve uma grande atuação, combatendo as piores heresias do seu tempo: o arianismo, que negava a divindade de Jesus; o donatismo, ultrarrigorista na moral; o maniqueísmo dualista, que acreditava em dois deuses, um bom e outro mau; e, principalmente, o pelagianismo, que negava o pecado original.

Notamos, nesse primeiro ano de pontificado de Leão XIV, que, como Santo Agostinho, ele tem procurado fazer uma ponte entre o pontificado de seus antecessores e o futuro, com um olhar atento ao que ocorre nos nossos dias. Assim, o vemos preocupado com o advento da Inteligência Artificial (IA), seus bens e seus males; o problema terrível das guerras atuais, condenando-as fortemente; e um modo novo de conduzir a sinodalidade, sem romper com a Tradição da Igreja naquilo que não pode ser alterado por determinação de Jesus Cristo.

Leão XIV tem se revelado um papa muito simples, humilde e caritativo. Seus pronunciamentos são claros, objetivos e concisos. Recentemente, na Espanha, publicou o livro: A força do Evangelho. Rezemos muito pelo papa Leão XIV, pois a sua cruz certamente é pesada!

Felipe Aquino é apresentador dos programas “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, pela TV Canção Nova. Autor de mais de 100 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova. (@prof.felipe_aquino).*

Conteúdo editado por: Jocelaine Santos

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