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Opinião dia 1

Azul, pintado de azul

  • PorVillas-Bôas Corrêa é analista político.
  • 26/07/2006 17:59

A inauguração do comitê central da campanha do presidente-candidato Lula à reeleição tem a força simbólica do lançamento de um novo partido – ou do mesmo com guarda-roupa de luxo, vestimentas, hábitos e instalação de deslumbrados novos-ricos.

Bate, supera e em certos aspectos humilha os adversários na briga do primeiro turno, em 1.º de outubro. A começar pelo candidato que, se não é o mais rico, tem data certa para subir o último degrau na escalada da fortuna pessoal, a alguns passos de ultrapassar a linha de chegada do patrimônio corretamente declarado de R$ 1 milhão.

Na reforma geral, os milagrosos tesoureiros do PT, seguindo os passos do pioneiro companheiro Delúbio Soares, abriram o cofre com generosidade perdulária. Com a instalação e manutenção do comitê inaugurado em Brasília, que ocupa três andares do prédio no centro, estima-se por alto que as despesas cheguem à mixaria de R$ 3 milhões. O custo mensal inclui a contratação de 150 funcionários para trabalhar em horário integral e deve oscilar entre R$ 400 mil e R$ 500 mil.

O PT é um eterno saco de prodígios. Recentemente, botou a cabeça de fora do lamaçal do mensalão e o caixa 2, com a derrubada da direção responsabilizada pelo escândalo da rapinagem, reconhecendo a dívida de milhões que não sabia como e quando pagar. Pois em pouco tempo, no fecundo silêncio de alguns meses, volta à tona com a vitalidade invejável de um ricaço, com a conta bancária abastecida para enfrentar os gastos da campanha recordista nas previsões de despesa. É fantástico, incrível, contado ninguém acreditaria.

Com a mesma desenvoltura com que trocou o destronado presidente José Genoíno pelo desembaraço do novo gerente da empresa, deputado Ricardo Berzoini, o partido e o candidato foram longe nos retoques das manchas na imagem da legenda e no perfil do concorrente a bisar o mandato.

A bandeira vermelha do PT, desbotada e com os rasgões dos vendavais a que esteve exposta, não foi propriamente aposentada: o PT sabe cuidar das suas relíquias. Nos 1.450 metros quadrados do latifúndio equipado para a campanha, a cor predominante é o azul, forte e luminoso, com algumas pinceladas de encarnado dos tempos heróicos das greves no ABC.

O PT da reeleição sofistica-se com os recursos avançados para a divulgação das proezas do candidato, suas tiradas e metáforas nos improvisos dos milhares de palanques por todo o país. E com os modos e deslumbramento de rico, dissipou R$ 120 mil na montagem da estrutura de informática, alugando 92 computadores que completaram, com os 26 transferidos da sede do partido, o equipamento com capacidade para enviar 1 milhão de e.mails por dia para abastecer a rede de militantes, dirigentes, parlamentares e quem quer que se habilite a carregar o estandarte azul, pintado de azul, da legenda remoçada pela plástica que cortou pelancas e esticou rugas, marcas de sepultadas dissipações.

O candidato tucano Geraldo Alckmin também se cuida. Apelou para a modéstia, mas sem exagero. O comitê montado em galpão de 1.150 metros quadrados, no setor industrial de Brasília, foi cedido pelo senador Paulo Octávio (PFL-DF) sem cobrar um real de aluguel. Nada como amigo abonado e mão aberta.

Para não ficar a reboque do PT renovado, Lula recomeçou a campanha, depois do intervalo entre a primeira fase com as facilidades e equipamentos do exercício do cargo, relançando a velha promessa, esquecida durante três anos e sete meses, da reforma política. Jogada de transparente esperteza, como cortina espessa ou tampão para expulsar do palco as piruetas oposicionistas da maior safra de escândalos de todos os tempos. Especialmente do último e recordista absoluto, dos sanguessugas com mais de uma centena de parlamentares envolvidos, com merecido destaque para a maioria da bancada evangélica, amoitada debaixo da barraca do baixo clero.

O desligamento do candidato-presidente das aborrecidas tarefas da rotina administrativa, delegadas à ministra-chefe do Gabinete Civil, Dilma Rousseff, virtual presidente em exercício, e o seu desinteresse pelo que acontece no Congresso, fonte de irritantes aborrecimentos, não justificam a sua fingida ignorância sobre a desmoralização que corrói o Legislativo, sem autoridade moral para a responsabilidade de uma reforma política que não se amesquinhe com a simulação dos remendos de costume. Antes de tudo, a varredura do lixo amontoado nos cantos da Casa aviltada pelos que deveriam zelar pela sua reputação.

Se o candidato-presidente, em campanha em tempo integral, precisa de um bom slogan, de forte impacto para marcar a campanha, por que não aproveita o que o todo poderoso ex-chefe da Casa Civil, José Dirceu, tanto tentou popularizar?

Lembra-se? Um tiro na testa: "Este governo não rouba nem deixa roubar".

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