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Olimpíada de Tóquio: o que será feito para evitar que atletas voltem ao Brasil com novas cepas da Covid
Atletas brasileiros com o mascote do time olímpico.| Foto: Alexandre Loureiro/COB

Quantos de nós somos os melhores naquilo que fazemos? Será que estamos, digamos, entre os 10, 20 melhores do mundo em nossas profissões? Para aqueles que estão, palmas: são dignos de mérito e reconhecimento pelo excelente trabalho. Nestas duas semanas estamos acompanhando a disputa entre os melhores do mundo no esporte, em uma série de competições em Tóquio. É um privilégio.

Muitos atletas brasileiros voltaram laureados, celebrados por brilhantes conquistas, como Rebeca Andrade, Ítalo Ferreira, Bruno Fratus, Fernando Scheffer, Daniel Cargnin, Mayra Aguiar, Rayssa Leal, Thiago Braz, entre tantos outros. Fizeram muito e souberam, na hora mais importante, ter sabedoria, calma e foco para estar no topo, entre os melhores do mundo, uma conjunção de treinamento, inteligência emocional e detalhes que fazem diferença no momento da disputa.

Quando se atinge um nível de excelência para estar nos Jogos Olímpicos, já é uma vitória. Estar em uma final, muito mais do que isso. Vencer, entretanto, é um detalhe, uma conjunção de pequenos fatores. Como disse Torben Grael, que ostenta nove medalhas (quatro ouros) na história de sua família na vela, “qualquer um entre os cinco finalistas na regata final tem condições de vencer. Você pode ficar em quinto ou primeiro. O nível é o mesmo”. Sua filha Martine levou a medalha de ouro, mas a fala dele diz muito sobre como devemos encarar nossos atletas.

Para além das medalhas, temos uma gama de atletas de altíssimo nível competindo entre os melhores do mundo. Nosso ginasta Caio Souza terminou em oitavo. Ele é o oitavo melhor ginasta do mundo. Precisamos ter consciência disso. Ele não está entre os três primeiros nesta competição, mas é um ginasta entre os dez melhores do mundo. Não é pouco. Arthur Zanetti já levou um ouro, uma prata e saiu de Tóquio sem medalha, mas em oitavo. Como disse Grael, poderia ficar em quinto, oitavo ou ter vencido. Seu feito também não é pouco. Estes atletas, como tantos outros, somente por chegar a Tóquio, já nos enchem de orgulho. Fazem parte da elite do esporte mundial.

Em diversos esportes estamos entre os dez melhores. Isto é chegar à excelência, mesmo vindos de um país solapado pela miséria, pobreza, falta de oportunidades e limitações absurdas, como falta de incentivo, patrocínio e reconhecimento. O Brasil está muito aquém das estruturas magníficas de treinamento que existem mundo afora. Colocar uma delegação numerosa entre os melhores, mesmo com tantas limitações, é um feito extraordinário. Nossos atletas estão de parabéns.

Que isto sirva de exemplo e incentivo para todos nós. Que possamos nos empenhar em nossas vidas a dar o nosso melhor com a mesma obstinação que nossos atletas tiveram para chegar até Tóquio. Se em nossas carreiras estivermos perto das mais modestas participações dos brasileiros nos Jogos Olímpicos, mudaríamos a face de nosso país. Devemos parar com a cobrança por medalhas, que muitas vezes são fruto de detalhes. Estamos diante dos melhores e mais preparados profissionais brasileiros de sua geração no esporte. São vencedores por estarem na elite de sua atividade. São, acima de tudo, o exemplo de um Brasil que dá certo.

Márcio Coimbra, cientista político e mestre em Ação Política pela Universidad Rey Juan Carlos (Espanha), é presidente da Fundação Liberdade Econômica, ex-diretor da Apex-Brasil e do Senado Federal, e coordenador da pós-graduação em Relações Institucionais e Governamentais da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Brasília.

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