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O câncer de mama continua sendo um dos grandes desafios da saúde mundial. Segundo a Organização Mundial da Saúde, em 2024 foram estimados cerca de 2,4 milhões de novos casos da doença no mundo e aproximadamente 694 mil mortes.
No Brasil, o cenário também exige atenção. O Instituto Nacional de Câncer, o INCA, estima 78.610 novos casos de câncer de mama feminina por ano no triênio de 2026 a 2028. No Paraná, a estimativa para 2026 é de 4.300 novos casos. São números importantes, mas eles contam apenas uma parte da história.
Nas últimas décadas, a oncologia mudou profundamente. Hoje sabemos que falar apenas em “câncer de mama” é simplificar uma doença que pode apresentar características biológicas muito diferentes. Duas mulheres podem receber o mesmo diagnóstico e seguir tratamentos completamente distintos.
Isso acontece porque cada tumor precisa ser melhor compreendido. A presença de receptores hormonais, a expressão da proteína HER2 e, quando indicado, a investigação de outros biomarcadores ajudam a definir o comportamento da doença e a escolher o tratamento mais adequado.
Hoje temos tratamentos que há poucas décadas não existiam. Conhecemos melhor a biologia dos tumores, identificamos biomarcadores e conseguimos oferecer terapias cada vez mais direcionadas
Por isso, dependendo do tipo de tumor, do estágio da doença e das características de cada paciente, o tratamento pode envolver cirurgia, radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia, terapias-alvo, imunoterapia ou a combinação dessas estratégias.
Essa talvez seja uma das grandes mudanças da oncologia moderna. Não basta saber onde está o câncer. Precisamos entender qual câncer estamos tratando. A ciência avançou muito nesse caminho. Mas existe algo que nenhum medicamento consegue devolver: o tempo perdido antes do diagnóstico.
Prevenir significa reduzir os fatores de risco que podem ser modificados. Praticar atividade física regularmente, manter o peso corporal adequado e evitar o consumo de bebidas alcoólicas estão entre as medidas associadas à redução do risco de câncer de mama.
Isso não significa que todos os casos possam ser evitados. O câncer de mama é uma doença multifatorial. Idade, fatores hormonais, reprodutivos, genéticos e história familiar também podem estar envolvidos. Ter hábitos saudáveis reduz riscos, mas não oferece uma garantia. Já a detecção precoce procura encontrar a doença o quanto antes.
Para mulheres sem sinais ou sintomas, o Ministério da Saúde e o INCA recomendam atualmente a mamografia de rastreamento a cada dois anos entre 50 e 74 anos. Mulheres com risco elevado precisam de avaliação individualizada para definir a melhor estratégia de acompanhamento.
Mas existe uma orientação que vale em qualquer idade: uma alteração suspeita não deve esperar pela próxima mamografia de rotina. Um nódulo persistente na mama ou na axila, alteração no formato da mama, retração do mamilo, mudança na pele ou saída espontânea de líquido pelo mamilo precisam ser avaliados por um profissional de saúde.
Não é necessário viver procurando uma doença. O importante é conhecer o próprio corpo e perceber quando algo mudou. Essa diferença precisa ficar clara. Prevenção busca reduzir o risco. Rastreamento procura alterações antes do aparecimento de sintomas. Diagnóstico precoce significa investigar rapidamente quando surge um sinal suspeito.
Hoje temos tratamentos que há poucas décadas não existiam. Conhecemos melhor a biologia dos tumores, identificamos biomarcadores e conseguimos oferecer terapias cada vez mais direcionadas. Mas para que uma mulher tenha a oportunidade de se beneficiar de toda essa evolução, existe um caminho que começa muito antes da escolha do medicamento.
Começa com informação. Passa pelo acesso ao rastreamento, pela atenção aos sinais do próprio corpo e pela investigação rápida de alterações suspeitas. Depois chega ao diagnóstico e ao tratamento adequado. A ciência continuará desenvolvendo novas possibilidades. Nosso desafio é fazer com que cada vez mais mulheres cheguem até elas no momento certo.
Paulo Cezar Machado de Souza é farmacêutico oncológico, criador do projeto O Farma Explica.
Conteúdo editado por: Jocelaine Santos



