i

O Sua Leitura indica o quanto você está informado sobre um determinado assunto de acordo com a profundidade e contextualização dos conteúdos que você lê. Nosso time de editores credita 20, 40, 60, 80 ou 100 pontos a cada conteúdo – aqueles que mais ajudam na compreensão do momento do país recebem mais pontos. Ao longo do tempo, essa pontuação vai sendo reduzida, já que conteúdos mais novos tendem a ser também mais relevantes na compreensão do noticiário. Assim, a sua pontuação nesse sistema é dinâmica: aumenta quando você lê e diminui quando você deixa de se informar. Neste momento a pontuação está sendo feita somente em conteúdos relacionados ao governo federal.

Fechar
A matéria que você está lendo agora+0
Informação faz parte do exercício da cidadania. Aqui você vê quanto está bem informado sobre o que acontece no governo federal.
Que tal saber mais sobre esse assunto?
artigo

Católicos liberais e protestantes conservadores

  • PorIván Garzón Vallejo
  • 25/12/2014 21:02

Foi publicado, semanas atrás, um amplo estudo sobre as crenças religiosas dos latino-americanos. O Pew Research Center, de Washington, entrevistou mais de 30 mil pessoas em 18 países e em Porto Rico, e concluiu que, entre 1970 e 2014, o catolicismo perdeu fiéis (de 84% para 69%), o protestantismo cresceu (de 9% para 19%) e os ateus e agnósticos passaram de 4% a 8%.

O estudo tem dados que ajudam a entender os costumes e crenças da população, fatores frequentemente ignorados por juristas e gestores políticos por, entre outras justificativas, "não terem evidência empírica". Mostra também que na América Latina as fronteiras entre política e religião são difusas e não ficaram cirurgicamente delimitadas por artigos constitucionais.

Na Colômbia, por exemplo, 50% afirmam que os líderes religiosos deveriam ter influência na política, e para 45% o governo deveria promover valores e crenças religiosas. Na República Dominicana (47%), El Salvador (45%) e Brasil (39%), considera-se que os problemas do país podem ser melhor resolvidos por um líder forte que pela democracia.

Com base na pesquisa, é possível formular duas hipóteses para a análise política. A primeira é que existe uma tendência liberal e secularizada no catolicismo. O número de pessoas que se identificam como católicas, praticam e observam os preceitos doutrinais está em queda. E, no plano moral, todos os temas pesquisados (aborto, casamento entre pessoas do mesmo sexo, consumo de álcool, divórcio, uso de contraceptivos e obediência das mulheres aos maridos) mostram uma moderada desaprovação que torna previsível uma gradual aproximação com setores laicos.

A segunda hipótese é que existe uma tendência conservadora e tradicionalista no protestantismo, basicamente porque os protestantes são mais conservadores que os católicos em todos os temas morais. Por exemplo, a oposição ao casamento de homossexuais entre protestantes é até 27 pontos porcentuais maior que entre os católicos. E, com diferenças de até 22 pontos porcentuais, a maioria dos protestantes acha que o aborto deveria ser ilegal em todos os casos, ou em mais casos que os previstos pela legislação atual. A isso se acrescenta que uma ênfase maior na vida moral costuma ser – depois da busca de uma experiência pessoal de fé e da identificação com o culto nas novas igrejas – a terceira causa que faz pessoas deixarem de ser católicas para se tornar protestantes.

Assim, se na América Latina existe uma tendência a um catolicismo mais liberal e secularizado, é errado retratar os católicos como os opositores mais intransigentes nas questões morais polêmicas. E, se estamos diante de um protestantismo mais conservador, a mobilização e o ativismo dessas igrejas terá mais relevância política que os Te Deum ou os ocasionais acenos dos arcebispos ao poder público.

Iván Garzón Vallejo é professor e diretor do programa de Ciências Políticas da Univer­sidad de La Sabana (Colômbia). Este artigo foi originalmente publicado, em espanhol, no jornal colombiano El Espectador. Tradução: Marcio Antonio Campos.

Dê sua opinião

Você concorda com o autor do artigo? Deixe seu comentário e participe do debate.

Deixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros
Máximo de 700 caracteres [0]

Receba Nossas Notícias

Receba nossas newsletters

Ao se cadastrar em nossas newsletters, você concorda com os nossos Termos de Uso.

Receba nossas notícias no celular

WhatsApp: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.

Comentários [ 0 ]

Máximo 700 caracteres [0]

O conteúdo do comentário é de responsabilidade do autor da mensagem. Consulte a nossa página de Dúvidas Frequentes e Termos de Uso.