
Ouça este conteúdo
Um levantamento do banco britânico Barclays, com base nos dados gerados na Copa do Mundo de 2022, no Catar, afirma que os números globais do dinheiro em circulação já impressionam antes mesmo de a bola rolar na Copa de 2026. A expectativa é de que o maior evento futebolístico deste lustro movimente mais de US$ 35 bilhões em apostas esportivas em todo o planeta, e a tendência é de expansão em relação à edição anterior, em parte porque haverá mais partidas e mais mercados regulados, com destaque para o Brasil, que chega ao Mundial em contexto de amadurecimento regulatório. O valor é cerca de 65% maior em relação à competição disputada na Rússia, há oito anos.
Segundo dado publicado pela Kantar, cerca de 59 milhões de brasileiros (37%) pretendem apostar durante o período do Mundial. O próprio comportamento do apostador brasileiro revela o tamanho da exposição que se aproxima. Um estudo do Grupo Globo em parceria com a Offerwise indica que a Copa do Mundo está entre os campeonatos de futebol nos quais o brasileiro mais aposta, com 38% de engajamento, ficando atrás apenas de competições mais frequentes, como Brasileirão, Copa do Brasil e Libertadores.
O jogo, quando encarado como entretenimento, pode coexistir de forma saudável com o evento esportivo. Mas, sem informação, fiscalização e consciência, o que deveria ser diversão corre o risco de se transformar em problema
Em outras palavras: em um torneio que ocorre de quatro em quatro anos, a Copa já mobiliza mais de um terço dos apostadores do país. Quando o evento finalmente chegar, o efeito será, no mínimo, divertido, seja a favor ou contra a seleção brasileira, já que, na hora da brincadeira, vale tudo, até torcer a favor de outras equipes.
O impacto da Copa no mercado de apostas costuma ser impulsionado por três fatores combinados: aumento de audiência, maior oferta de jogos e crescimento do apetite do público por entretenimento esportivo em grandes eventos. Em paralelo, plataformas e operadores reforçam tecnologia, meios de pagamento e estratégias de aquisição, criando um ciclo de escala em torno do torneio.
Traduzindo: a Copa convida todos os públicos – os apostadores veteranos e a nova geração que começa a encarar as apostas como uma nova ferramenta de entretenimento.
Por isso, é necessário enfatizar que o jogo responsável é uma questão de saúde pública que precisa ser, inclusive, inserida em normas de conduta social, como leis, campanhas e publicidades positivas que alertem os novos e antigos apostadores quanto aos sinais de alerta da ludopatia.
Deve-se ainda estar atento à euforia coletiva, ao excesso de confiança ou à ilusão de que, desta vez, o palpite é certeiro, como “o Brasil vai ganhar”. O aspecto psicossocial do problema não pode ser ignorado. Estudos psiconeurológicos apontam que, quando se ativa o campo de recompensa do cérebro, liberando dopamina, esse mesmo neurotransmissor provoca comportamentos análogos aos vícios em álcool e drogas.
A Copa, com seus 104 jogos concentrados em pouco mais de um mês, é um banho contínuo de dopamina para o apostador com perfil de risco. Veja que nos referimos não a todos os jogadores, mas àqueles que desenvolveram sintomas do transtorno.
Diante desse cenário de crescimento expressivo, a Copa do Mundo também representa uma oportunidade para consolidar um mercado de apostas mais seguro, transparente e responsável no Brasil. Caso a pessoa tenha interesse em jogar, deve procurar casas autorizadas, monitoradas e fiscalizadas, facilmente identificadas por estarem hospedadas em websites que terminam no domínio “.bet.br”. Só assim há garantias de que o indivíduo não entre em uma furada.
Com informação, regulamentação eficaz e campanhas de conscientização, é possível transformar o apetite de milhões de brasileiros pelas apostas em uma experiência de entretenimento saudável, protegendo os usuários e estimulando práticas conscientes. Assim, o país pode aproveitar o potencial econômico e tecnológico do setor, ao mesmo tempo em que promove o bem-estar dos apostadores e fortalece um ambiente mais equilibrado e sustentável para todos.
Diante desse cenário, a Copa do Mundo escancara uma realidade que vai além do entusiasmo esportivo: o Brasil está diante de um mercado de apostas em plena expansão, que exige maturidade coletiva. Mais do que aproveitar o potencial econômico do setor, será fundamental garantir que ele evolua com responsabilidade, transparência e proteção ao usuário.
O jogo, quando encarado como entretenimento, pode coexistir de forma saudável com o evento esportivo. Mas, sem informação, fiscalização e consciência, o que deveria ser diversão corre o risco de se transformar em problema. No fim das contas, o verdadeiro placar que importa não é o das apostas, mas o equilíbrio entre liberdade, segurança e bem-estar dos brasileiros.
Cristiano Costa é psicólogo e diretor de conhecimento (CKO) da EBAC.
Conteúdo editado por: Jocelaine Santos







