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Copa do Mundo? Que nada! Precisamos falar sobre as Olimpíadas Científicas
| Foto: Pixabay

Enquanto nossos jogadores de futebol se preparam para a Copa do Mundo no Catar, no fim deste ano, a seleção de astronomia já está batendo um bolão, conquistando recordes em 2021. Ainda que haja muito a ser trilhado para alcançarmos mais jovens de norte a sul, já conquistamos a cada ano resultados cada vez mais expressivos nas Olimpíadas Científicas Internacionais.

Em 2021, todos os estudantes brasileiros que participaram das competições foram medalhistas. Na Olimpíada Latino-Americana de Astronomia e Astronáutica (Olaa), todos os nossos heróis da astronomia chegaram ao ponto mais alto do pódio pela primeira vez numa mesma edição, faturando nada mais, nada menos do que cinco medalhas de ouro. Na Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica (IOAA, na sigla em inglês), que seria a “Copa do Mundo da Astronomia”, a seleção brasileira conquistou o inédito ouro, chegando ao total de duas medalhas douradas, quatro de prata e quatro de bronze. Os nossos “campões do saber” ainda não ganharam a notoriedade que merecem, mesmo que o desempenho deles tenha sido o maior da história em 2021. Apesar disso, ouso dizer que já somos uma potência científica.

Ao contrário do futebol, as olimpíadas de conhecimento, extremamente efetivas quando comparamos o seu alcance com o seu custo, ainda carecem de mais investimentos.

Esses resultados corroboram que as iniciativas científicas são as principais ferramentas de que dispomos no país para estimular nossos jovens a estudar mais e melhor. Além disso, colaboram para a melhoria do processo educacional, estimulando a capacitação e a atualização de professores, e ainda favorecem a identificação de alunos talentosos.

O Brasil tem atualmente cerca de 50 milhões de alunos, 2 milhões de professores e 180 mil escolas. Entretanto, ao contrário do futebol, as olimpíadas de conhecimento, extremamente efetivas quando comparamos o seu alcance com o seu custo, ainda carecem de mais investimentos. Para além do apoio importante dado pelo MEC e pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, parlamentares podem seguir o exemplo da deputada federal Tabata Amaral, que já foi medalhista nacional e internacional de astronomia, e destinou recentemente parte de suas emendas parlamentares à Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA) e à Olimpíada Brasileira de Matemática de Escolas Públicas (OBMEP). As empresas também podem colaborar e se beneficiar desse apoio, com programas de parcerias para a retenção e desenvolvimento de talentos desde a base.

Se, mesmo com pouco investimento, conseguimos resultados tão promissores, imagine o quão longe poderemos levar nossos estudantes com mais recursos? Quantas vidas poderão ser transformadas?

Eugênio Reis é astrônomo, vice-coordenador nacional da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA) e pesquisador colaborador do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações.

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