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As mensagens pró-vida frequentemente se concentram na humanidade e na dignidade do nascituro. Mas e a mulher que carrega essa criança? Não há razão para não amarmos e ajudarmos ambos. A maioria das pessoas que conheço no movimento está profundamente comprometida com isso. Quase todas as pessoas pró-vida acreditam que uma mulher tem a mesma dignidade que a criança que carrega, e nossa linguagem e nossos serviços devem refletir isso.
No entanto, nem sempre falamos com essa convicção. Ouço muito sobre desenvolvimento fetal, eleições, a indústria predatória do aborto, ataques injustos a centros de apoio à gravidez etc., mas, de forma perturbadora, muito pouco sobre a necessidade de cuidados maternos antes, durante e depois do parto. A humanidade do bebê merece, sem dúvida, um lugar no discurso público. Mas enfatizá-la em excesso coloca o movimento pró-vida na defensiva, em vez de na ofensiva.
Se não reconhecermos o contexto em que essa vida ainda não nascida se encontra, ou seja, a presença da mãe, estaremos perdendo o ponto principal. Preocupa-me que as mensagens e os serviços centrados no bebê não estejam repercutindo positivamente entre as mulheres que estão ou podem engravidar inesperadamente, nem entre o público em geral, cada vez mais sensível e preocupado com a saúde materna. Para que o movimento pró-vida passe da defensiva para a ofensiva, precisamos também pensar no bem-estar da mãe.
Precisamos amar ambos, o que significa analisar com atenção as necessidades concretas das mulheres e ser verdadeiramente pró-vida, não apenas contra o aborto
Além disso, e isso é difícil de dizer, acho que muitas pessoas, inclusive eu em certo momento, são tentadas a simpatizar mais com o sofrimento da criança inocente do que com as necessidades da mulher que engravidou inesperadamente (talvez até em circunstâncias pecaminosas).
De fato, já me senti assim; costumo brincar que entrei para o movimento pró-vida pelos bebês e fiquei pelas mulheres. Mas, na verdade, precisamos amar ambos, o que significa analisar com atenção as necessidades concretas das mulheres e ser verdadeiramente pró-vida, não apenas contra o aborto. Não se trata apenas de adotar uma retórica mais eficaz para eleger candidatos pró-vida, mas de examinar profundamente como podemos apoiar e fortalecer o trabalho vital do movimento pró-vida, ao mesmo tempo que o desafiamos gentilmente a ser o mais abrangentemente pró-vida possível.
Vamos examinar dois exemplos concretos de argumentos que colocam mulheres e crianças em oposição. Para fortalecer o movimento pró-vida, precisamos analisar criticamente as situações em que priorizamos o bebê em detrimento da gestante, quando podemos e devemos valorizar ambos.
“Não é o seu corpo”: mas é o corpo dela
Como defensoras da vida, costumamos explicar que “o corpo dentro do seu corpo não é o seu corpo”. Mas o corpo do bebê está dentro do corpo dela e o afeta em um nível fundamental e visceral. E o corpo dela importa em toda essa equação. Assim, o paradigma “não é o seu corpo” falha porque mãe e bebê são tratados como inimigos, como prioridades concorrentes, mesmo dentro do movimento pró-vida. Aqui, novamente, estamos adotando um paradigma falho, no qual apenas o corpo do bebê é digno de consideração. Precisamos reconhecer que o corpo do bebê está, de fato, dentro do corpo da mãe e que é o corpo materno que sustenta essa vida, sendo também ele que será permanentemente alterado pelo resto da vida dela.
O corpo da mulher, em sua própria essência física, foi feito para sustentar outro ser humano. Em vez de tentarmos convencer as mulheres de que o bebê em seus corpos é distinto de seus próprios corpos, podemos convencê-las da beleza e do poder indizíveis de nutrir e sustentar outra vida.
O aborto não visa proteger o corpo da mulher — vai contra ele
Separar mãe e bebê, mesmo em nossos discursos, é fazer o que o aborto faz. Devemos promover uma visão de interdependência materno-fetal e mostrar como aquilo que é bom para um também é bom para o outro. Interromper a gravidez de forma artificial e intencional não se resume ao fato de que o aborto põe fim à vida do corpo que se encontra dentro da mulher; trata-se também de ir contra o propósito e a capacidade do próprio corpo dela, de uma forma que ataca sua própria feminilidade. O aborto não visa proteger o corpo da mulher — vai contra ele. Dessa forma, o aborto eletivo é uma forma de autolesão. Por exemplo, a SMART Women's Healthcare explica que mulheres que fazem aborto têm 81% mais riscos de problemas de saúde mental e enfrentam o risco físico de parto prematuro em futuras gestações. O Instituto Charlotte Lozier relata riscos de gravidez ectópica, hemorragia e infecção associados ao uso crescente de medicamentos abortivos. O extenso estudo Complications documenta outros aspectos do impacto negativo do aborto na saúde da mulher.
Em gestações de risco, nas quais o corpo da mulher é sobrecarregado, prejudicado ou mesmo ameaçado pela gravidez, precisamos estar mais bem preparadas para conversar sobre o assunto. Precisamos ser muito claras sobre como a intervenção em uma gravidez complexa, quando a vida da mãe está em risco, pode ser ética e legal, e precisamos estar dispostas a discutir quando e como estabelecer limites éticos. Precisamos entender que algumas pessoas têm uma definição diferente de aborto e ficam confusas se dissermos apenas que ele “nunca é medicamente necessário”, pois essa afirmação depende da definição de aborto adotada. Podemos salvar a vida de uma mãe intervindo em uma gravidez complexa. Às vezes, a criança morrerá, mesmo que essa não seja a intenção. Mas o objetivo final deve ser sempre amar e cuidar de ambos.
Salvando almas, bebês e a saúde da mulher
O discurso pró-vida muitas vezes se concentra em evangelizar a mulher que busca um aborto. Essa é uma bela ideia. Eu também quero que os bebês não sejam abortados e que a mulher conheça Jesus. Existem diferentes abordagens sobre como fazer isso, mas estou aberta a discutir essas estratégias e frequentemente admiro o trabalho de grupos que adotam esse tipo de mensagem e compartilham meu desejo de que as mães não escolham o aborto, mas, sim, a vida abundante em Cristo. No entanto, concentrar-se apenas nisso é problemático por vários motivos. Em primeiro lugar, o corpo da mulher parece ser deixado de fora dessa equação, tanto na prática quanto em nosso discurso.
Talvez esteja implícito que precisamos cuidar do corpo da mulher, mas por que não incentivar explicitamente os doadores a fazerem isso? Não quero apenas ajudar a mulher porque seu corpo é o lar de seu bebê e de sua alma, mas também porque o corpo dela importa por si só — e o aborto o prejudica. O corpo e a experiência dela importam independentemente da decisão que tomar (embora eu ore para que seja uma decisão pela vida!). Por isso, o atendimento médico pós-aborto também importa. Isso é teologia da encarnação. É reconhecer que Cristo veio ao mundo como uma criança ainda não nascida, em um corpo, e que a ressurreição e a reunificação da nossa alma com o nosso corpo são doutrinas cristãs fundamentais.
Para fortalecer o movimento pró-vida, precisamos analisar criticamente as situações em que estamos valorizando o bebê em detrimento da gestante, quando podemos e devemos valorizar ambos.
Na recente Convenção de Mulheres em Rochester, fiz uma pergunta difícil e delicada. Perguntei se o movimento pró-vida, involuntariamente e sem intenção, tem tratado as gestantes como incubadoras de bebês cujas vidas estão em perigo. Muitos serviços clínicos se concentram em ajudar a mãe a ver um ultrassom (o que é, de fato, um avanço positivo), mas não se expandem para oferecer serviços médicos que abordem efetivamente a saúde do corpo da gestante, idealmente também antes e depois da gravidez. Muitas clínicas de apoio à gestação simplesmente não podem oferecer mais serviços, e eu entendo isso, mas aquelas que podem deveriam considerar seriamente a ampliação de sua atuação.
Antes da gravidez, as mulheres precisam de exames físicos para a prática de esportes, acompanhamento do ciclo menstrual, testes para detectar infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e exames ginecológicos de rotina. Durante a gravidez, precisam de exames de hCG e progesterona, cuidados pré-natais e informações sobre as opções de parto. Após o parto, precisam de cuidados pós-parto e avaliação hormonal. Após um aborto espontâneo, um aborto induzido ou o nascimento de um bebê natimorto, também precisam de apoio emocional e físico.
Entendo que muitas clínicas veem sua missão como salvar bebês do aborto e consideram qualquer ampliação dos serviços de saúde da mulher um afastamento desse objetivo. Outras, no entanto, começaram a perceber que ampliar esses serviços contribui para alcançar essa mesma finalidade. Outras ainda descobriram que oferecer serviços de saúde que afirmam a vida às mulheres constitui, por si só, uma parte válida de sua missão principal, ou começaram a encaminhar diretamente as pacientes para esses serviços, integrando-as a uma rede de cuidados.
Compreendo perfeitamente as dificuldades que as clínicas enfrentam para incorporar esses serviços e não estou sugerindo que todas possam ou devam fazê-lo, mas acredito que precisamos de mais diálogo dentro do movimento sobre essa questão. Idealmente, deveríamos fazer isso não apenas porque oferecer mais serviços de saúde para as mulheres ajuda a salvar o bebê (embora ajude), mas também porque as mulheres merecem, por si mesmas, cuidados que afirmem a vida.
Jamais devemos colocar mãe e bebê um contra o outro quando seus destinos estão inextricavelmente ligados
Existe uma maneira de falar sobre o aborto que transforma a questão “mulher versus filho” em “mãe e filho”. Uma maneira que reconhece as dificuldades, as experiências e as necessidades da mulher tanto quanto as do bebê em seu ventre, sem sacrificar nenhum dos dois no processo. Jamais devemos colocar mãe e bebê um contra o outro quando seus destinos estão inextricavelmente ligados.
Incentivar o movimento a se tornar mais centrado na mulher não significa necessariamente justificar o aborto. Sou contra o assassinato intencional de uma vida humana ainda não nascida em todas as circunstâncias. Mas acho importante reconhecer onde e quando nossa mensagem pró-vida falha e deixa de repercutir, o que acontece, muitas vezes involuntariamente, quando a experiência física da gravidez é deixada de lado.
Chaney Mullins Gooley é escritora e consultora de organizações sem fins lucrativos, além de defensora certificada de pais que perderam filhos no período perinatal (APPL). Formou-se pela Universidade da Virgínia e foi bolsista do Instituto John Jay. Trabalhou com a Divine Mercy Care, do Dr. John Bruchalski, a Her PLAN, o Guiding Star Project e o Heaven's Gain Ministries. Atualmente, dirige a Toward Home, LLC, onde oferece consultoria e serviços de comunicação voltados à construção de uma cultura que afirma a vida, na qual a dignidade humana é reconhecida e os relacionamentos são saudáveis. A empresa desenvolve projetos inovadores e colaborativos para ampliar as redes de apoio a mulheres e crianças, com atuação nas áreas de saúde da mulher, perda reprodutiva e lar, lugar e comunidade. Chaney vive em Alexandria, no estado da Virgínia, nos Estados Unidos, com o marido, Patrick.
©2026 Public Discouse. Publicado com permissão. Original em inglês: Forgetting Women’s Bodies in Pro-Life Messaging



