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Deixem Robert Mueller fazer seu trabalho

A fé no sistema judiciário e nas agências norte-americanas não pode ser dano colateral de uma disputa partidária

  • PorWilliam Webster
  • The New York Times
  • 22/07/2018 00:01
 | Brendan Smialowski/AFP
| Foto: Brendan Smialowski/AFP

Em 1978, fui convidado a dirigir o FBI em uma época perigosa. O órgão estava cercado por polêmicas, tendo sido fortemente criticado por causa do escândalo de Watergate e os grampos realizados sem mandado, submetido a investigações pelo Congresso. Aceitei o cargo porque, como disse na época, “a instituição é importante demais para ser perdida”.

Demos duro para recuperar a confiança geral. Mais tarde, Ronald Reagan me nomeou para fazer o mesmo na CIA, após o escândalo Irã-Contras. E por ter servido meu país durante esses capítulos complicados da história norte-americana, fico triste ao ver o que está acontecendo hoje à investigação liderada pelo conselheiro especial, Robert Mueller. Dos tuítes de Donald Trump aos ataques verbais de seu advogado, Rudolph Giuliani, denunciando o processo, passando pelos apelos de congressistas republicanos para que se demita o vice-Procurador-Geral e chefe de Mueller, Rod Rosenstein, as ações são extremamente destrutivas.

Fiquei decepcionado ao ver Trump esta semana expressando o que parecia ser mais confiança na palavra do russo Vladimir Putin do que no julgamento unânime dos homens e mulheres da comunidade de inteligência norte-americana, a mesma que já liderei. A fé no nosso sistema judiciário e em nossas agências não pode ser dano colateral de uma disputa partidária. Um partido pode até ganhar, mas o país perde; a confiança no Estado de Direito é sempre importante demais para ser afetada. Há 60 anos, eu era só mais um entre tantos jovens alistados, e vesti um uniforme para defender os valores dos EUA no mundo; hoje, temos que defendê-los aqui dentro de casa.

Em períodos como o atual, temos o dever de servir, de denunciar. Mueller está cumprindo o seu; precisamos fazer o mesmo

Sou republicano desde sempre. Giuliani foi um promotor federal muito bom durante o período em que liderei o FBI – e é pelo fato de ele saber exatamente como são as coisas que eu jamais esperava que exigisse do Departamento de Justiça o encerramento da investigação sobre uma possível interferência russa nas eleições de 2016. O processo já resultou em 35 indiciamentos – incluindo os da semana passada, de doze oficiais russos, pelo hackeamento do Comitê Nacional Democrata e a campanha de Hillary Clinton –, além de cinco confissões de culpa e uma sentença de prisão. Acusar Mueller de tentar “enquadrar” Trump é errado.

O serviço de Mueller ao país não deveria precisar de justificativa. Como líder da divisão criminal do Departamento de Justiça sob George H.W. Bush, ele fechou o banco ilegal que lavava o dinheiro sangrento de Osama bin Laden; após o onze de setembro, chefiou o FBI durante um dos períodos mais difíceis da história da nossa nação. Como prefeito de Nova York na época, Giuliani se viu a seu lado nos escombros do World Trade Center.

Mueller, ex-fuzileiro naval e veterano condecorado do Vietnã, foi confirmado unanimemente pelo Senado, duas vezes, para dirigir o FBI. É um promotor resoluto, de integridade inquestionável, que faz o que deve ser feito sem se deixar influenciar por ideologias. E antes que alguém questione, sim, ele pertence ao mesmo partido que o presidente e a maioria do Congresso. Esses são os fatos e, como John Adams disse uma vez, “Os fatos são teimosos”.

Leia também: A Suprema Corte e a chance de Trump (editorial de 4 de julho de 2018)

Leia também: Será o fim de Roe v. Wade? (artigo de Raquel Machado Carleial de Andrade, publicado em 15 de julho de 2018)

Mais importante que isso, o que me preocupa é para onde essa retórica atual levará o país. Tenho muito orgulho de ter servido como advogado da união e juiz federal. Vi de perto o quanto é importante que o cidadão médio acredite que a justiça é feita com imparcialidade. A nação funciona quando todos nós podemos pôr fé em um determinado conjunto de fatos sabendo que um grupo de funcionários públicos engajados e dedicados está disposto a cumpri-los.

A população tem que saber que estamos todos unidos em busca da justiça. Não precisamos destruir nossas próprias instituições, trivializar as ações imparciais de nossos júris, denegrir nosso sistema judiciário nem fazer bullying com a imprensa livre para isso. Se o fazemos, é por nossa própria conta e risco. O presidente deveria querer que essa investigação passasse os fatos a limpo e oferecesse aos EUA as respostas que todos nós merecemos.

Servi meu país humildemente durante toda a minha vida adulta e o título de que tenho mais orgulho é o que divido com todos os norte-americanos: o de cidadão. Em períodos como o atual, temos o dever de servir, de denunciar. Mueller está cumprindo o seu; precisamos fazer o mesmo. Quando fui efetivado como diretor do FBI, disse que “cumpriria as funções que o povo esperava de mim, da forma exigida pela constituição” – ou seja, defender valores como a verdade, a justiça e a civilidade. O conceito de um país unido pelo Estado de Direito é importante demais para ser posto em risco.

William Webster, juiz federal aposentado, foi diretor do FBI de 1978 a 1987 e diretor da CIA de 1987 a 1991.
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