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Educar é construir a civilização do amor e da fraternidade
| Foto: Albari Rosa / Foto Digital/Gazeta do Povo

Neste ano, muito oportunamente, o tema da Campanha da Fraternidade, promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), é “Fraternidade e Educação”, e o lema, “Fala com sabedoria, ensina com amor” (Pr 31,26). Assim, ao longo deste ano, mais intensamente no período da Quaresma, escolas, universidades, famílias, igrejas, o Estado e a sociedade em geral são convidados a escutar e a refletir sobre a realidade da educação em nosso país.

Sem dúvida, tanto a educação básica como a superior foram profundamente impactadas pela pandemia da Covid-19. Dentre os desafios enfrentados, destacam-se a desigualdade na qualidade do ensino ofertado no Brasil, os modestos resultados na aprendizagem dos estudantes, o acesso precário às novas metodologias e tecnologias digitais de ensino e aprendizagem e o alto índice de evasão dos alunos.

O atual cenário demanda, sobretudo, uma perspectiva humanista da educação, que nos ajude a superar as desigualdades sociais, culturais, religiosas, econômicas e ecológicas. Por isso, a Campanha tem por objetivo promover diálogos sobre a preocupante realidade educativa do Brasil, à luz da fé cristã, e propor caminhos em favor do humanismo integral e solidário.

De fato, temos de ampliar o horizonte de nossa compreensão a respeito da educação, ainda entendida, em muitos casos, apenas como transmissão de conteúdos e como preparação técnica para o mundo do trabalho. Afirma-se, no texto-base da Campanha, que “toda proposta educativa tem subjacente uma concepção do ser humano, da cultura, da sociedade e da história” (n.º 169). Dessa maneira, a Campanha interpela-nos a repensar a educação de acordo com a antropologia cristã, que vê a pessoa integralmente. Ou seja, na educação cristã parte-se da visão integral do ser humano como ser livre e responsável por si mesmo e pelo mundo e aberto à transcendência (n.º 170).

A educação formal – escolas e universidades –, com base na vida e nos ensinamentos de Jesus Cristo, tem o compromisso de “educar para o humanismo solidário”. O mestre e educador de Nazaré atraía e transformava a vida de pessoas e circunstâncias sobretudo pelo seu modo de ensinar: fazendo e ensinando. Jesus falava com sabedoria e ensinava com amor. Por isso, a pedagogia de Jesus é a pedagogia do amor, da liberdade, do diálogo, da empatia, do respeito mútuo e do cuidado para com todas as formas de vida. E dentre as pessoas atraídas e transformadas pelos ensinamentos de Jesus Cristo está São Francisco de Assis, o inspirador da nossa proposta pedagógica.

Nesse sentido, destacamos a importância de escutar com o coração a tradição cristã e franciscana, bem como a inteireza da realidade atual para compreendê-la e diagnosticar o caminho que devemos escolher para construir uma nova civilização, a civilização do amor e da fraternidade. Assim, atentos aos desafios que nos movem no âmbito da educação, acreditamos que é, sobretudo, pelo caminho do diálogo saudável e construtivo no interior das organizações educacionais, nas famílias, nas igrejas e em todos os setores da sociedade que educamos e capacitamos as crianças, os adolescentes e os jovens para a cidadania, o trabalho e as complexas relações sociais.

Enfim, uma educação centrada no desenvolvimento integral de pessoas que se colocam amorosamente a serviço da comunidade é um ato de amor e de esperança no ser humano.

Frei João Mannes é presidente do Grupo Educacional Bom Jesus.

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