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O rodízio de policiais no Gaeco é um retrocesso, coloca em risco as investigações, expõe os atuais civis e militares nelas envolvidos e impõe amarras administrativas a um trabalho que exige independência. Pior de tudo: contrapõe decreto do governo e dá um cheque em branco – ou até visado – para a possibilidade de indicações, num aparato de investigação e combate ao crime que precisa de autonomia para prender agentes públicos dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de todos os demais criminosos.

Combater o crime exige estratégias: investigação, trabalho sério, sigilo, determinação, ousadia, coragem, ação e confiança na equipe. Tudo isso sustentado por informações, dados, fatos e provas. Atuando como força-tarefa, o Gaeco já demonstrou que uma operação policial de sucesso muitas vezes requer inteligência, mais do que força.

O Paraná talvez seja um dos estados com maiores índices de êxito no combate à corrupção e ao crime organizado. Londrina é um bom exemplo: investigações do Gaeco resultaram em prefeitos e vereadores presos e/ou cassados, agentes públicos (inclusive policiais) enquadrados, assim como empresários e outros interessados em obter vantagens com dinheiro público. Eles foram denunciados, presos, processados, tiveram bens bloqueados. Alguns perderam direitos políticos e vivem enrolados com a Justiça. Cada um tem seu histórico; muitos jamais virão a público para relatar seus atos de ilegalidade. Na linha de frente desse trabalho por Londrina e pelo bem público desponta o Ministério Público, com arrojo e independência, percepção e perspicácia, compromisso com a comunidade.

Houve uma evolução: promotorias de Investigações Criminais, de Defesa do Patrimônio Público e, depois, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Numa parceria entre promotores e policiais civis e militares, o Estado revela-se capacitado e disposto a agir contra a corrupção, o colarinho-branco, a formação de quadrilha e o crime organizado.

Já o rodízio de policiais implica morosidade nas investigações. A produtividade é prejudicada com as substituições de policiais de dois em dois anos. A experiência de quem trabalha no Gaeco indica que, com a troca de policiais, cada novo integrante que chega precisa de treinamento médio de 12 meses. Ou seja, terá apenas os outros 12 meses para produção. E, quando estiver bom, vai sair do Gaeco.

Isso não é bom para o Paraná. O modelo atual funciona muito bem. Além disso, o decreto que regulamenta a ação do Gaeco é desse governo. Qual a explicação, então, para mexer com cerca de 60 policiais civis e militares que atuam no Gaeco quando o Paraná tem mais de 10 mil policiais na Polícia Civil e na Polícia Militar? Esse pretendido rodízio pode acabar em pizza!

Tercilio Turini é deputado estadual (PPS).

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