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Escola não pode ter partido

  • José Maria e Silva
 
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Na belíssima Tocando em Frente, que já se tornou um clássico da MPB, Almir Sater e Renato Teixeira ensinam que “cada um de nós compõe a sua história / cada ser em si / carrega o dom de ser capaz”. Esses versos, além de metáfora da vida, são propícios para definir o processo educativo, que, mais do que transmissão de conhecimento pelo mestre, é cultivo de si mesmo pelo aprendiz. E não se trata de Paulo Freire e sua crítica à “educação bancária”, mas de uma concepção de ensino que remonta a Sócrates e permeia a evolução pedagógica do Ocidente, estendendo-se a Durkheim e Piaget.

Educar é um ato formativo, que fala à consciência através da liberdade. Quando isso não ocorre, tem-se a doutrinação. O filósofo da educação Olivier Reboul elenca 13 casos de doutrinação, entre os quais ao menos cinco estão presentes na educação brasileira, pública e privada: utilizar o ensino para veicular propaganda partidária; ensinar com base em uma doutrina como se fosse a única possível; ensinar como científico aquilo que não é; falsificar fatos favoráveis à sua doutrina; e propagar o ódio por meio do ensino. O marxismo e doutrinas afins disseminam-se nas escolas por meio dessas formas de doutrinação, especialmente a última – especializada em criar vítimas artificiais.

A origem do fenômeno está na universidade. O mundo é majoritariamente capitalista, mas para dentro dos portões da universidade impera o socialismo. O Banco Digital de Teses e Dissertações do CNPq contabiliza 697 trabalhos acadêmicos que citam Karl Marx, o ícone da doutrina socialista, contra apenas 27 que se referem a Adam Smith, o pai da doutrina liberal, dos quais ao menos quatro são críticas marxistas ao autor de A riqueza das nações. Contabilizando os demais autores de esquerda, a cifra chega aos milhares. Só Foucault aparece 1.640 vezes; Bourdieu, 860 vezes; e Paulo Freire, 764 vezes. Já no Banco de Teses da Capes, órgão que coordena a pós-graduação no país, há 110 teses sobre Marx defendidas na área de educação.

A hegemonia da esquerda no pensamento acadêmico tem graves consequências, começando pela completa politização do ensino. A Resolução n.º 4, de 13 de julho de 2010, do Conselho Nacional de Educação, que define as Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Básica, estabelece no seu artigo 47, numa linguagem delirante: “A avaliação da aprendizagem baseia-se na concepção de educação que norteia a relação professor-estudante-conhecimento-vida em movimento, devendo ser um ato reflexo de reconstrução da prática pedagógica avaliativa, premissa básica e fundamental para se questionar o educar, transformando a mudança em ato, acima de tudo, político”.

Como se vê, as Diretrizes Curriculares do MEC não passam de um panfleto assumidamente político, escrito num estilo lunático-pedagógico, que revela a confusão mental das autoridades educacionais. Ainda que nunca consiga fazer sua almejada revolução socialista, essa pedagogia que se quer “do oprimido” é mais do que suficiente para oprimir a inteligência humana, impedindo as crianças de aprender. Contra isso se levanta a ONG Escola Sem Partido, que programou para 24 de julho, em Brasília, o I Congresso Nacional sobre Doutrinação Política e Ideológica nas Escolas. É preciso – com urgência – resgatar a escola dessa ideologia que a torna refém do ódio de classes.

José Maria e Silva, jornalista, é mestre em Sociologia pela UFG.

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