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Filhos tecnológicos, porém com menos habilidades motoras

  • Jacir J. Venturi
 
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Considere o melhor troféu – ou um butim de guerra – seu filho chegando em casa com a roupa suada, emporcalhada. Um pouco de vitamina S (S de sujeira) fortalece o sistema imunológico infantil. Por muitas gerações, os momentos marcantes e felizes da infância e adolescência foram de simplicidade e interação ao ar livre: brincar em parques ou chácaras, subir em árvores, jogar bola, empinar pipa, pedalar, nadar, andar em trilhas, cavalgar, correr de rolimã, dar banho no cãozinho, assoviar, participar de churrascos com os amigos.

As atividades ao ar livre promovem o bem-estar psíquico e o desenvolvimento de habilidades motoras. Entretanto, parte de nossas crianças e adolescentes mantém-se na reclusão de seus quartos ou condomínios, absortos em seus celulares, videogames ou em chats com amigos virtuais às centenas – mas mal cumprimentam os vizinhos de porta. Professores de Educação Física afirmam que seus alunos estão mais individualistas e mais desajeitados, com diminuição das aptidões físicas para correr e jogar. Alguns, sequer conseguem amarrar adequadamente o cadarço do tênis.

É consensual que o excesso de aparelhos eletrônicos compromete a compleição física, socialização, estudos e leituras

A carência dos benfazejos raios solares – não só em crianças, mas também nos adultos – está se evidenciando como um problema de saúde pública. São eles fundamentais para o metabolismo da vitamina D, muito eficaz – além de gratuita – na proteção contra a osteoporose, depressão, doenças degenerativas, diabetes e alguns tipos de câncer.

Os pais podem romper essa inércia do filho: acompanhá-lo em brincadeiras divertidas e planejadas ao ar livre; matriculá-lo em academia, clube ou atividades complementares da escola, sempre estimulando as boas amizades; monitorar o tempo de uso dos dispositivos eletrônicos.

Em 2014, a Academia Americana de Pediatria recomendou limites para a exposição diária a todo tipo de mídia: dos 2 aos 5 anos, devem permanecer no máximo 1 hora diante das telas; 2 horas aos pré-adolescentes de 6 a 12 anos; e um máximo de 3 horas a partir dos 13 anos. Próximo desses marcos, teremos um jovem criado em um ecossistema de boa aprendizagem e com estímulos para o raciocínio lógico, antenado às novas tecnologias, requisitos imprescindíveis para o ingresso em uma universidade e no mercado de trabalho.

É consensual que o excesso de aparelhos eletrônicos compromete a compleição física, socialização, cooperação doméstica, estudos e leituras, provocando sedentarismo e obesidade, designados como o mal do século. O número de meninos e meninas obesos no Brasil quadruplicou nos últimos 20 anos. E não menos importante, o referido excesso compromete o sono reparador, cuja quantidade recomendada pela Sociedade Brasileira de Pediatria para a faixa etária de 3 a 6 anos é de 10 a 11 horas diárias de sono; para a de 7 a 12 anos, de 9 a 10 horas. Aquém disso, pode causar baixo rendimento escolar e comportamento irascível ou indolente.

Em uníssono, escola e família devem praticar a preciosa regrinha de ouro: agir com temperança e bom senso quanto ao uso dos gadgets eletrônicos. Devemos, sim, capacitar crianças e adolescentes para uma sociedade cada vez mais tecnológica, mas com o discernimento de que, diante de nós, descortina-se irreversivelmente o fascinante e ao mesmo tempo falacioso mundo digital.

Jacir J. Venturi é presidente do Sinepe/PR e coordenador da Universidade Positivo.

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