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O Brasil consolida-se na liderança global da produção e exportação de proteína animal, registrando crescimento médio anual na casa dos dois dígitos na última década. Sustentado em um mercado cada vez mais competitivo, o país atende hoje a mais de 150 nações com carne bovina, suína e de aves.
Embora a dinâmica de comércio exterior pareça responder a uma equação elementar de oferta e demanda, o protagonismo brasileiro na carne é determinado por variáveis mais complexas. Além da capacidade produtiva e do rigor sanitário, a sustentabilidade consolidou-se como o novo diferencial competitivo para o acesso a mercados estratégicos, tendo a redução de emissões como uma das diretrizes.
Este cenário enfrenta desafios que transcendem os aspectos técnicos e de manejo, adentrando as esferas geopolítica e econômica. Medidas recentes – como as políticas tarifárias dos Estados Unidos, as restrições de importação da União Europeia e as cotas da China para a carne bovina – evidenciam o avanço de barreiras protecionistas, muitas vezes justificadas sob argumentos comerciais ou sanitários questionáveis.
O setor de proteína animal vive sob um novo patamar de exigências que impacta um mercado bilionário, composto por milhares de produtores, indústrias e bilhões de consumidores
Neste contexto, a segurança sanitária não deve ser tratada como um diferencial de mercado, mas como um pré-requisito absoluto. Os protocolos de controle sanitário são validados internacionalmente e não admitem concessões. Por outro lado, as barreiras econômicas flutuam ao sabor de conveniências políticas e demandam acordos bilaterais, plurilaterais ou em blocos.
Diante de um mercado global em franco movimento, a perenidade do setor exige o alinhamento estratégico entre as esferas pública e privada. A atuação conjunta da diplomacia corporativa com o desenvolvimento tecnológico é indispensável. A competitividade do setor não se limita mais à capacidade de entrega. Ela requer excelência, eficiência e governança em todos os elos da cadeia produtiva, do campo ao consumidor final.
O setor de proteína animal vive sob um novo patamar de exigências que impacta um mercado bilionário, composto por milhares de produtores, indústrias e bilhões de consumidores. Para se proteger dessas volatilidades, o setor deve se amparar na ciência e em dados consistentes. Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) tornaram-se ferramentas essenciais não apenas para a segurança alimentar, mas para o fortalecimento do Produto Interno Bruto (PIB), geração de empregos e atração de divisas.
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O Brasil inicia uma nova era como o principal operador global do segmento, apto a suprir demandas crescentes em volume e em conformidade técnica. O país se posiciona não apenas como um grande produtor de carne, mas como a referência em segurança alimentar sustentável e de baixa emissão de carbono.
Essa evolução fica evidente nos resultados da última década, período em que o Brasil se tornou o maior exportador mundial de carne de frango e bovina, e o segundo maior de carne suína – atrás apenas dos Estados Unidos. Entre 2015 e 2025, os embarques brasileiros de frango cresceram 25%, os de suínos avançaram 180% e os de carne bovina registraram expressivos 188%. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o volume total exportado pelo país deve se aproximar ou superar a marca de 10 milhões de toneladas em 2026.
O futuro do abastecimento global de carne pertence ao Brasil. Para converter essa oportunidade em liderança duradoura, cabe ao setor manter-se em estado de constante vigilância e prontidão estratégica frente às transformações do mercado internacional.
Fernando Blini é zootecnista e CEO da Global Feed Solutions (GFS).
Conteúdo editado por: Jocelaine Santos



