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Gestão para a paz

A “gestão para a paz” não é aquela conivente com o fracasso, mas aquela que é madura o suficiente para, mesmo em tempos de “guerra econômica”, extrair o máximo de cada um

  • PorHaroldo Andriguetto Junior
  • 06/01/2018 13:00
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| Foto: loopack/Free Images

Nunca a área da gestão foi tão consultada e requerida pelas empresas. Neste momento que o país enfrenta, tem sido ela a responsável por encontrar respostas e soluções plausíveis frente à crise econômica, ética e moral que gera queda de demanda e números desanimadores prospectados em cenários alarmantes para praticamente todos os setores da economia.

Neste clima de “guerra econômica”, executivos e presidentes das empresas têm mobilizado suas equipes e esperado de seus gestores a grande sacada, aquela ideia que possa virar o jogo, despertar um novo mercado, uma nova oportunidade ou até reduzir custos. Só que a maioria das saídas, contudo, tem sido categórica, racional e nada iluminada: redução de custos, cortes repentinos, pressão sobre as metas e prazos. Todos conhecem ao menos um colega próximo que passa por isso hoje, inclusive com a mesma justificativa: a crise econômica.

A gestão e os negócios vivem de números, de mercado, mas também de pessoas

É fato que a gestão e os negócios vivem de números, de mercado, mas também de pessoas. Poucos executivos têm pensado que agora o melhor dos mundos seria se os seus colaboradores estivessem melhor preparados para agirem nesta pressão, cenário de crise, corrupção e desemprego. O ideal seria agora poder ter uma conversa franca com cada equipe, no intuito de unir esforços e, com muita maturidade, tentar conduzir os negócios com todos juntos. Afinal, não se contrata para demitir. Contrata-se para cumprir uma missão, um propósito e entregar algo para a sociedade.

Talvez uma das práticas de gestão ainda pouco desenvolvidas seja a da “gestão para a paz”. Não aquela que é conivente com o fracasso, com erros seguidos e com o prejuízo. É aquela que é madura o suficiente para, mesmo em tempos de “guerra econômica”, extrair o máximo de cada um, fortalecendo, mais do que nunca, a união, a sinergia e a relação entre colaborador e empresa. As saídas iluminadas seriam planos de trabalho conjuntos, onde gestores mobilizassem junto de suas equipes aquela força imbatível que faz um time vencer, mesmo sob as maiores dificuldades. Isso só acontece quando a equipe está em paz, em segurança, forte e com preparo emocional para entender isso.

Ainda que pareça, gestão não é só técnica; é arte, é intuição, é sentimento, é humanidade. A gestão para a paz é aquela que, além de desejar a paz, decide encontrá-la junto com sua equipe, mesmo em cenários não afetuosos. Parece que isso alivia o fardo do desânimo e decepção que todos estão carregando invisivelmente pelo nosso país, empregados ou não.

Nossas convicções: As empresas, sua finalidade e o bem comum

Leia também: Um caminho para erguer as empresas (artigo de Sérgio Bento Silva e Aldo Macri, publicado em 12 de agosto de 2017)

Assim como os cenários e os mercados mudam, a gestão também. A paz deveria iluminar todas os outros estilos de gestão. E as perdas que surgirem neste caminho ocorrerão por aqueles colaboradores que talvez esqueceram de se prepararem para a chuva enquanto o sol estava aberto. Gestores iluminados também precisam olhar para suas equipes para alertar, orientar e proteger, com profissionalismo.

O cenário pede para que a gestão seja executada, mas agora exige de seus gestores mais arte do que técnica. Essa gestão existe, é mais trabalhosa e exige pessoas com maior visão de negócio, criatividade, humanidade, compaixão e fé. Sobreviverão aquelas organizações que executarem de verdade a missão e os valores que estampam com orgulho à frente de seus negócios. Serão líderes de verdade aqueles que agora despertarem em suas equipes resultados inesperados e entenderem que os maiores triunfos surgem nos momentos mais difíceis da vida.

Haroldo Andriguetto Junior, mestre em Administração e doutorando em Educação, é gestor da escola O Pequeno Polegar.
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