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Ilusões populares e a loucura das massas

  • PorJosé Pio Martins
  • 27/06/2013 21:02

Não. O título deste artigo não tem nada a ver com os protestos das multidões pelas ruas do Brasil. O assunto aqui é outro. Ilusões Populares e a Loucura das Massas é o título de um livro escrito pelo jornalista escocês Charles Mackay, em 1841, e é considerado um clássico estudo psicológico dos mercados e do comportamento irracional das pessoas em "manada". O livro trata de alguns exemplos famosos de especulação financeira.

Alguém poderia perguntar o que uma obra publicada em 1841 teria a dizer sobre especulação. Ocorre que, já naquela época, o mundo houvera conhecido algumas loucuras coletivas no terreno das bolhas financeiras. Segundo o autor, ao agir de forma totalmente irracional, numa espécie de delírio econômico coletivo, as multidões podem jogar nas alturas os preços de determinado produto, cujo episódio final é uma queda profunda.

Nesse tipo de situação, os preços atingem um nível exagerado, muito acima dos custos de produção, invariavelmente resultante de especulação que faz a demanda subir demais, até que um dia, assim como uma bolha, tudo se esfarela e os preços despencam. Ato seguinte, a multidão vê seu dinheiro evaporar.

O primeiro exemplo notório de bolha, conforme conta o livro, foi a mania da tulipa holandesa, ocorrida em 1630. As tulipas de Constantinopla haviam ficado muito populares entre os ricos da Holanda e da Alemanha, e passaram a ser objeto de desejo em toda a Europa. Como até mesmo a classe média holandesa ficara obcecada pelas tulipas, estas passaram a ser negociadas na Bolsa de Amsterdã. A procura foi às alturas, os preços dispararam, uma legião de pessoas investiu em tulipas, até que a paixão passou, a bolha estourou e milhares de investidores perderam seu dinheiro.

O livro de Mackay relata algumas bolhas de sua época e se dedica a explicar o comportamento irracional das massas. Mas podemos trazer o exemplo para mais perto de nós. Em março de 2000, tivemos o estouro da bolha da internet. O mundo se encantara exageradamente com as empresas da internet, levando as multidões a comprar freneticamente suas ações. As cotações na bolsa dispararam e, quando estavam muito acima do valor das empresas, a bolha estourou, o valor das ações despencou e milhões perderam suas poupanças.

De vez em quando fala-se que o Brasil pode estar vivendo uma bolha imobiliária, a exemplo do que aconteceu nos Estados Unidos em 2007/2008. O mercado brasileiro tem alguns ingredientes de bolha: a demanda por imóveis subiu muito, os financiamentos ficaram fáceis, os preços cresceram bem mais que a inflação e muitos imóveis atingiram preços irreais. De repente, a demanda começou a cair, as vendas se retraíram; muitos acreditam que há uma bolha e ela vai explodir.

Apesar de o mercado brasileiro ter problemas, não é parecido com os Estados Unidos. O governo norte-americano incentivou os bancos a emprestar dinheiro para quem quisesse comprar imóveis – mesmo a pessoas desempregadas e sem renda – e os bancos só entraram na onda porque o governo oferecia aval por meio de duas agências estatais. A bolha foi inflada pelo governo dos EUA, com suas intervenções malfeitas.

De qualquer forma, quando a multidão começa a querer demais uma coisa e os preços sobem ano a ano acima da inflação, em geral a coisa não termina bem e muitos perdem dinheiro. Em Ilusões Populares e a Loucura das Massas, Charles Mackay alertava que o instinto de rebanho conduz milhões a tomar decisões sem reflexão, apenas copiando o que os outros estão fazendo. Aí é onde o perigo começa.

José Pio Martins, economista, é reitor da Universidade Positivo.

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