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Dois foguetes disparados pelo Hamas da Faixa de Gaza contra o território de Israel; um deles foi interceptado pelo sistema antimísseis israelense “Domo de Ferro”
Dois foguetes disparados pelo Hamas da Faixa de Gaza contra o território de Israel; um deles foi interceptado pelo sistema antimísseis israelense “Domo de Ferro”| Foto: Reprodução / Forças de Defesa de Israel

A luta contra o terror não é uma missão fácil. As táticas do terror enganam e escondem suas reais intenções. Não é diferente o que acontece agora contra Israel.

Desde segunda-feira da semana passada (10 de maio de 2021), Israel enfrenta uma das piores escaladas de violência em vários anos, com o Hamas e a Jihad Islâmica disparando mais de 4 mil foguetes contra contra vilas e cidades israelenses, matando 12 pessoas em Israel e ferindo mais de 300. Até mesmo Jerusalém, cidade sagrada para judeus, muçulmanos e cristãos, foi alvo dos foguetes vindos de Gaza.

Muitos se perguntam o que desencadeou este último aumento na violência. A resposta é o Hamas.

O Hamas é uma organização terrorista genocida que prega abertamente o assassinato de judeus e é responsável pela morte e por ataques a milhares de civis israelenses e palestinos. O grupo tomou o controle da Faixa de Gaza em um golpe militar em 2007 e segue com o objetivo de tomar o controle da Autoridade Palestina, seja por meio de eleições ou pela força. Agora, o Hamas decidiu explorar o sentimento nacional sensível nesta época, quando acontece o mês sagrado do Ramadã, para exacerbar a situação em Jerusalém, substituir a Autoridade Palestina – que não tem conseguido se impor – e se tornar a principal facção palestina.

Durante este período, Israel tomou todas as medidas possíveis para acalmar a situação. O Hamas respondeu a essas medidas com violência e foguetes alvejando cidades e vilarejos israelenses em todo o país. Milhões de civis israelenses estão agora sob a ameaça de lançamentos de mísseis e escolas foram fechadas em todas as cidades do sul e do centro de Israel.

O Hamas utiliza-se duas vezes dos palestinos. Fala em nome deles, mas os explora de diversas formas. Utiliza sua eletricidade, desvia energia para atividades terroristas, explora sua infraestrutura e, o pior de tudo, esconde-se entre civis de Gaza para atacar Israel. Ao atacar civis e esconder-se entre civis, Hamas comete um duplo crime de guerra, o que é gravíssimo. Esses disparos de dentro de áreas densamente povoadas por civis em Gaza geram um enorme perigo para a população que é usada como escudo humano.

A eclosão dos últimos dias ocorre após várias semanas de escalada do terrorismo palestino contra civis israelenses. Só em abril, o Hamas lançou mais de 40 foguetes contra Israel. Outros dispositivos incendiários lançados de Gaza – como balões – causaram dezenas de incêndios e danos ambientais e econômicos generalizados em todo o sul de Israel. Em um ataque a tiros no cruzamento de Tapuach, no início de maio, um terrorista palestino matou o jovem israelense Yehuda Guetta, 19 anos, e feriu outras duas pessoas. Em outros casos, a polícia de fronteira neutralizou um ataque com faca em Hebron, bem como outro, a bomba, que seria realizado por três terroristas no centro do país (interceptados, os três abriram fogo no cruzamento de Salem). Juntos, esses ataques terroristas deixaram quase 70 civis israelenses feridos nas semanas que antecederam a escalada atual.

Israel não tem outra escolha a não ser proteger sua população que inclui judeus, árabes e cristãos. Como poderia um país se omitir diante da brutalidade e do terror contra seu povo? Como qualificar como “militantes” ou como “resistência” uma organização que tem como premissa declarada destruir um país e seu povo? Como o racismo declarado contra judeus pode ser aceito ou menosprezado? Israel se defende, como teve de fazer em diversos momentos da história de seu povo. Hoje, além de ter conquistado um poder armamentício, Israel também investiu em proteger sua população. E é assim que temos conseguido nos proteger e ter poucas vítimas dos mais de 4 mil foguetes do Hamas.

Mas como acreditar na paz? Há um ano firmamos acordos com quatro países árabes. Os chamados “Acordos de Abraão” marcaram o início de um novo tempo com essas nações. Foram consequência de longas conversas e mediações. Nem tudo se resolveu miraculosamente, mas acreditamos que é somente através do diálogo que podemos avançar rumo a paz. Esse caminho tampouco é fácil ou rápido, mas é o único caminho possível. Afora o diálogo, sobra a barbárie, o medo e o terror.

Se o Hamas estivesse interessado na paz e na propesperidade do povo palestino, há muito teria mudado suas táticas. Mas o que esperar de uma organização terrorista? Previsibilidade? Isenção? Caminho do meio? Tenho certeza de que os leitores compartilham que nenhuma destas seria a resposta. Então, só nos resta seguir nos defendendo e contar com a comunidade internacional para se unir na luta contra o terrorismo e condenar as ações do Hamas. É hora de perceber que qualquer expressão de simpatia por esta e qualquer organização terrorista prejudica efetivamente qualquer chance de alcançar a paz.

Enquanto escrevo este texto, tivemos notícia de um cessar-fogo que deve acontecer esta noite. Uma luz que se acende no fim do túnel, que, apesar de merecer cautela, é um fio de esperança. E é pela paz de todos os povos da região que esperamos que a comunidade internacional condene o terror.

Alon Lavi é cônsul-geral de Israel em São Paulo. 

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