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Convivo com uma doença que ameaça minha visão. Enfrento-a com tratamento e fé. Mas há outra cegueira que me preocupa: a de um país que parece não querer enxergar os próprios erros. Em 2026, Lula, Dilma e o PT completam cerca de 20 anos no comando do Brasil. É tempo suficiente para serem cobrados não pelas promessas, mas pelos resultados.
Mensalão, Petrolão e Lava Jato marcaram esse período. Agora, as fraudes no INSS e as investigações envolvendo o Banco Master voltam a colocar corrupção, fiscalização e instituições no centro do debate. Enquanto isso, o crime organizado cresceu, ganhou poder econômico e ampliou sua presença no país.
Depois de cerca de 20 anos de Lula, Dilma e PT no poder, não é razoável atribuir permanentemente os problemas aos outros. Quem governa por tanto tempo precisa responder pelo legado que deixa
Na economia, déficits, endividamento, juros elevados, impostos, burocracia e crédito caro sufocam empresas e trabalhadores. Recuperações judiciais se multiplicam, investimentos são comprometidos e o país continua distante do equilíbrio fiscal necessário para crescer.
Também preocupa a insegurança jurídica. Na minha avaliação, decisões e práticas institucionais têm tensionado limites constitucionais. Executivo, Congresso e Judiciário precisam respeitar suas competências e submeter-se à fiscalização. Nenhuma autoridade pode estar acima da lei. Liberdade de expressão e imprensa livre também não podem ser enfraquecidas sob o pretexto de regular as redes sociais.
Na política externa, vejo perda do tradicional pragmatismo do Itamaraty e aproximação ideológica com governos autoritários, como os de Nicolás Maduro, na Venezuela, Daniel Ortega, na Nicarágua, e Cuba, além das relações cultivadas com China, Rússia e Irã. Os interesses do Brasil deveriam estar acima das afinidades ideológicas.
O país precisa amparar os pobres, mas também criar condições para que deixem a pobreza. Precisa de educação, trabalho, empreendedorismo, responsabilidade fiscal, segurança jurídica, combate à corrupção e ao crime organizado e instituições que respeitem a Constituição.
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Depois de cerca de 20 anos de Lula, Dilma e PT no poder, não é razoável atribuir permanentemente os problemas aos outros. Quem governa por tanto tempo precisa responder pelo legado que deixa.
Não peço que ninguém pense como eu. Peço apenas que olhe para os resultados. Governos passam. Partidos passam. A conta dos erros fica para o povo. Minha visão pode diminuir. A do Brasil não deveria. É preciso abrir os olhos enquanto ainda há tempo.
Cláudio Slaviero é empresário e ex-presidente da Associação Comercial do Paraná.
Conteúdo editado por: Jocelaine Santos



