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Melhora da economia e descolamento da política

Sem manter a agenda de reformas, o fôlego que a economia vem ganhando não passará de um novo voo de galinha

  • PorLuciano Nakabashi
  • 01/10/2017 00:01
 | Rafael Neddermeyer/USP Imagens/Fotos Públicas
| Foto: Rafael Neddermeyer/USP Imagens/Fotos Públicas

Vários indicadores apontam que a economia vem passando por um processo de ajuste que, apesar de penoso, é importante na retomada da atividade econômica. Por exemplo, nota-se uma retração do estoque total crédito de pessoas físicas e jurídicas; as elevadas taxas de desemprego e de capacidade ociosa vêm permitindo uma redução da taxa de juros com inflação controlada; e o esforço do atual governo em manter uma importante agenda de reformas e de controle das contas públicas, com reformas importantes já aprovadas, como a do teto dos gastos e trabalhista, têm propiciado uma retomada da confiança dos agentes econômicos.

Em relação à agenda reformista, a principal medida ainda não foi aprovada e pode ficar para discussão nas eleições presidenciais de 2018: é a da previdência. Para controlar a trajetória dos gastos públicos, não existe alternativa que não passe por uma ampla reforma da previdência com redução ou eliminação de diversos privilégios que beneficiam grupos de interesse bem conhecidos. Também é preciso avançar em mudanças na Constituição para flexibilizar gastos que são obrigatórios, dando maior autonomia de controle das despesas por parte das diferentes esferas do governo. Neste ponto, é desejável mudar a mentalidade de parte da sociedade brasileira sobre a necessidade de gastos em educação, saúde, segurança, entre outros, para a melhora em sua eficiência.

O próximo governo deve ter foco e habilidade política para a manutenção da agenda de reformas

De qualquer forma, o que foi feito até o momento e a disposição do governo federal em controlar os gastos públicos têm afetado positivamente o desempenho da economia e as expectativas dos agentes. Adicionalmente, os cortes na taxa básica de juros realizados pelo Comitê de Política Monetária (Copom) e as baixas taxas de inflação registradas e esperadas são elementos que ajudarão no processo de retomada do crédito e do emprego e, portanto, da demanda agregada.

Opinião da Gazeta: A retomada necessária (editorial de 30 de setembro de 2017)

A retomada da demanda das famílias e empresas já vem estimulando a economia no segundo semestre e será o seu principal motor ao longo de 2018, um cenário que deve se consolidar independentemente das condições políticas. Em outras palavras, espera-se certo descolamento dos ambientes políticos e econômicos até 2018, sendo que os resultados das eleições serão mais relevantes nos ânimos dos investidores do que a “força política e a estabilidade” do atual governo.

Do mesmo autor: Um bom pacote – para o longo prazo (artigo publicado em 20 de dezembro de 2016)

No entanto, para que o processo de crescimento econômico se mantenha, é crucial uma conscientização da importância da agenda de reformas por parte da sociedade e que o próximo governo tenha foco e habilidade política para a manutenção dessa agenda iniciada no governo Temer. Espero que a sociedade tenha percebido que as políticas populistas adotadas nos últimos governos petistas nos levaram a uma das maiores crises econômicas enfrentadas pelo país, com efeitos ainda maiores do que a corrupção, visto que esta já existia anteriormente, em níveis que não devem ser muito distintos do atual e cujos efeitos são muito mais perceptíveis no longo prazo.

Certamente, é preciso manter as instituições de combate à corrupção fortalecidas, mas, sem manter a agenda de reformas, esse fôlego que a economia vem ganhando não passará de um novo voo de galinha.

Luciano Nakabashi, doutor em economia, é professor associado da FEA-RP/USP e pesquisador do CEPER/FUNDACE.
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