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Aferição de temperatura na chegada à escola é um dos protocolos de segurança na rede municipal. Imagem ilustrativa.
Aferição de temperatura na chegada à escola é um dos protocolos de segurança na rede municipal. Imagem ilustrativa.| Foto: Divulgação/Secretaria de Educação de Palotina

Muitos esperavam que a pandemia do novo coronavírus fizesse aflorar o que há de melhor nas pessoas, mas estamos nessa há mais de um ano e não foi bem isso o que vimos. O atual cenário revelou uma série de aspectos da sociedade que estão, inclusive, diretamente ligados à educação, seja do ponto de vista formal ou de civilidade.

Ambientes seguros são inversamente proporcionais aos riscos a que estão submetidos. Jovens saem de suas casas para viver perigosamente nas festas clandestinas enquanto suas famílias fecham os olhos, repousando em falsa tranquilidade diante dos comportamentos de risco, sem ao menos reprovar tais atitudes. A sociedade só será mais segura quando ela mesmo compreender seu papel. Sendo assim, qualquer ambiente poderá ser muito mais seguro a depender do zelo de seus integrantes.

Enquanto isso, a educação formal segue, em parte, relegada. E os impactos desse hiato vão levar décadas para serem suavizados. Um estudo recente do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) demonstrou que o fechamento das escolas durante a pandemia fez o Brasil retroceder 20 anos em termos educacionais. Voltamos aos indicadores do início dos anos 2000!

Esse mesmo jovem que não estava indo às aulas, por causa da crise sanitária, muitas vezes é aquele que tem condutas condenáveis relacionadas à evolução da transmissão da doença. Felizmente, as aulas presenciais estão sendo retomadas em algumas escolas do Paraná, especialmente do ensino privado.

Às crianças, mais uma vez, caberá a tarefa de disseminar boas práticas sanitárias para as suas famílias. Muito mais do que isso, aliás: elas terão o papel preponderante de fiscalizar e corrigir seus pais, irmãos mais velhos e demais parentes.

Infelizmente, por outro lado, isso só está disponível para parcela da população, ainda que governo e rede pública estejam tentando se posicionar e enfrentar os arroubos de parte do funcionalismo público. Quando olhamos para os exemplos do exterior, só podemos concluir que o Brasil dificulta – e muito – o direito de acesso à educação. Assim, seguimos com essa bandeira a meio-mastro.

Douglas Oliani é presidente do Sindicato das Escolas Particulares do Paraná.

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