É inegável o relevante papel da educação na sociedade atual. Políticos, governos, famílias e indivíduos têm atribuído crescente importância à educação ao identificar alguns de seus benefícios. É impossível para qualquer sociedade pensar em se desenvolver e alcançar níveis econômicos, sociais, culturais, políticos e tecnológicos mais elevados sem a efetiva participação do setor educacional. É nas escolas, a organização educacional por excelência, que ocorre grande parte da formação humana e profissional das pessoas. É nessa instituição que ocorre a grande transformação do homem. Saber ler, escrever e poder interpretar a realidade e interagir na vida em comunidade é um direito e uma condição indispensável a qualquer indivíduo membro de uma comunidade. É a educação que transforma homens em cidadãos.
A construção de uma sociedade mais justa e menos desigual requer que instituições sociais como a escola possam desempenhar melhor o seu papel. A escola desempenha papel crítico na formação de novas gerações ao proporcionar o desenvolvimento de habilidades e competências, a identificação de talentos, transmissão e compartilhamento do conhecimento, de valores sociais e culturais importantes para uma vida em uma sociedade democrática. É também a escola que incentiva o pensamento crítico e a reflexão acerca não só do conhecimento disponível como o da capacidade de investigação acerca do mundo em que vivemos, para que possamos melhor compreender sua complexidade.
Na prática estes papéis atribuídos à escola têm sido destorcidos e mal desempenhados. São conhecidos os principais problemas que têm afetado a educação e, particularmente, as escolas, como instituições especializadas na sociedade, locus onde o processo educacional se desenvolve. Alguns desses problemas têm sido destacados em artigos e livros por especialistas na área assim como têm merecido crescente espaço nos meios de comunicação. A lista é grande e nela destacam-se os métodos de ensino, o aprendizado dos alunos, a capacidade de ensinar dos professores, a preparação dos alunos, a qualificação dos professores, o currículo, o ambiente escolar, os recursos da escola, a remuneração dos professores, a inclusão social, a evasão escolar, a participação dos pais, dentre outros.
Gostaria de acrescentar a essa lista um grave problema que aflige as escolas brasileiras e, certamente, escolas em outros países. Trata-se de um contexto a que Darcy Ribeiro, antropólogo e educador brasileiro, denominou de "Pacto da Mediocridade". Referia-se a uma situação onde os professores fingem que ensinam e os alunos fingem que aprendem.
As manifestações desse pacto são as mais diversas, como redução das exigências escolares, redução da carga de trabalho dos professores, generosidade na avaliação dos alunos, tolerância com o plágio e a "cola", manutenção de professores com baixo desempenho, enfim, ações que aliviam o trabalhoso e desafiante processo de ensino e aprendizagem, tornando-o algo mais fácil para quem nele atua ou participa.
Em suma, trata-se de uma política de "não incomodar para não ser incomodado". Algo muito sutil que necessita ser melhor investigado pois implica um arranjo informal que envolve atitudes e comportamentos arraigados de certos professores, alunos, e de administradores que mina o processo de ensino e aprendizagem, com o beneplácito dos gestores escolares.
O fato é que o problema necessita ser melhor examinado sob pena de se comprometer novas gerações com conhecimento deficiente, ultrapassado e, por isso, inútil. O pacto da mediocridade, por sua gravidade, necessita ser colocado na pauta das preocupações de todos aqueles responsáveis pela educação, em seus diversos níveis, quer como formuladores de políticas educacionais quer como gestores de instituições educacionais responsáveis pelo desempenho das escolas deste país.
Victor Meyer Jr. é professor do Programa de Mestrado e Doutorado em Administração da Pontifícia Universidade Católica do Paraná.







