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O resgate da confiança no Brasil

O país não tem mais tempo a perder e precisa, urgentemente, recuperar sua capacidade de gerar riquezas, empregos e renda, recolocando-se no rumo do desenvolvimento

  • Edson Campagnolo
 | Aniele Nascimento/Gazeta do Povo
Aniele Nascimento/Gazeta do Povo
 
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Neste domingo, 28 de outubro, quando os brasileiros voltam às urnas para eleger o novo presidente da República e os governadores de alguns estados, o país chega ao fim de um dos processos eleitorais mais polarizados e tensos de sua história. Os recentes anos de profunda crise econômica, acompanhados de uma enxurrada de denúncias de corrupção que resultaram na prisão e condenação de inúmeros políticos e empresários influentes, expuseram várias das mazelas da gestão pública nacional, acentuaram as diferenças entre correntes ideológicas opostas e dividiram a opinião do eleitorado.

Encerrada a eleição, é preciso aceitar o resultado das urnas, seguindo as regras do jogo democrático. Respeitando-se sempre o direito ao contraditório e ao debate de opiniões – outro princípio básico de qualquer democracia –, é chegada a hora de virar a página e pensar no futuro do Brasil. O país não tem mais tempo a perder e precisa, urgentemente, recuperar sua capacidade de gerar riquezas, empregos e renda, recolocando-se no rumo do desenvolvimento.

Pontos de vista distintos sempre existirão e devem ser respeitados, mas é preciso que nos direcionem para uma sociedade mais justa, próspera e desenvolvida

Neste momento, mais do que nunca, o Brasil precisa mostrar ao mundo que está disposto a fazer sua lição de casa, corrigir erros do passado, modernizar sua estrutura administrativa e apontar para um caminho de seriedade e prosperidade. Para isso, um passo importante é colocar em pauta, antes mesmo da posse do presidente eleito, algumas das tão necessárias reformas que o país precisa encarar para melhorar seu ambiente de negócios. Ainda que algumas delas não tenham efeitos imediatos, servirão para a retomada de um fator essencial para o dinamismo de qualquer economia: a confiança.

É o caso, principalmente, da Reforma da Previdência. Há anos o Brasil vem adiando a reestruturação de seu sistema de aposentadorias e pensões, hoje o principal causador do verdadeiro rombo existente nas contas públicas. Em 2018, o déficit com pagamentos de benefícios do INSS e dos servidores públicos pode chegar a quase R$ 300 bilhões. Se não houver uma revisão nesse modelo, possibilitando um equilíbrio, cada vez mais o governo será obrigado a retirar recursos da sociedade, por meio de aumento de impostos, para cobrir essa despesa.

Opinião da Gazeta: A confiança necessária (editorial de 13 de outubro de 2018)

Leia também: O Brasil quer ordem, segurança e estabilidade (artigo de Edson José Ramon, publicado em 22 de outubro de 2018)

O impacto que um crescimento futuro na já pesada carga tributária brasileira causaria na economia seria catastrófico, uma vez que elevaria ainda mais o famoso Custo Brasil e desestimularia novos investimentos produtivos. A questão tributária, aliás, deve ser o alvo da outra reforma que o país precisa encarar com urgência. Além de uma carga de impostos elevada, a complexidade do sistema tributário brasileiro é outro gargalo que tira competitividade do setor produtivo. Promover uma verdadeira simplificação nesse modelo é essencial para que as empresas possam dedicar menos tempo, dinheiro e recursos humanos para cumprir com todas as suas obrigações, voltando seus esforços para aumentar e aprimorar a produção.

Evidente que o presidente eleito terá suas propostas específicas para esses temas. Mas é possível abrir diálogo com a atual gestão do Palácio do Planalto – o presidente Michel Temer já demonstrou disposição para isso – e com o Congresso Nacional para que as reformas da Previdência e Tributária tramitem ainda em 2018. Quanto antes isso ocorrer, antes o país recuperará sua credibilidade, ajudando na retomada do dinamismo econômico.

Assim, abre-se caminho também para a busca por uma verdadeira união de esforços pelo país. Encerrada a eleição, o lado do presidente eleito, do candidato derrotado e de todos os brasileiros deve ser o do Brasil. Pontos de vista distintos sempre existirão e devem ser respeitados, mas é preciso que nos direcionem para uma sociedade mais justa, próspera e desenvolvida.

Edson Campagnolo é presidente do Sistema Federação das Indústrias do Paraná (Fiep).

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