Imagem ilustrativa.
Imagem ilustrativa.| Foto: Arquivo/Bruno Covello/Gazeta do Povo

Nas últimas décadas, a medicina avançou em eficiência e rapidez. Mas não dispensou a habilidade e experiência médicas, embora tenha usado – e ainda continua a usar – ferramentas que aceleram a localização e plenitude de estudos científicos que embasam a conduta profissional.

Esses estudos ainda não influenciam de forma plena a ação do médico. E não raro essas conclusões científicas não se transmitem ou incorporam-se prontamente à prática médica. Exemplificando, vemos que só 11% das práticas cardiológicas têm nível de evidência A. Quer dizer que 89% das práticas terapêuticas invasivas e medicamentosas não se sustentam em estudos randomizados, de coorte ou ainda em metanálises.

Por que, então, a exigência de estudos rebuscados, não realizados nem mesmo para as vacinas aplicadas contra o novo coronavírus? Todas elas, para total segurança de efetividade, ainda precisam da fase 4, que é a aplicação na população. Ou seja, estudo da realidade como ela é, sem acomodações ou condições ideais. Portanto, ciência em fase de complementação, mas sendo usada e propagada como a salvação esperada.

Muitas drogas usadas hoje foram reposicionadas. Ou seja, descobriu-se que poderiam ser usadas com eficiência para outras doenças. Assim foi com a hidroxicloroquina, reposicionada em 1969, há 52 anos, com garantia de que tinha propriedades antivirais. O próprio Sildenafil (Viagra) foi inicialmente usado para hipertensão arterial, quando se verificou ação mais potente nos corpos cavernosos, apropriado para disfunção erétil.

A hidroxicloroquina tem ação antiviral exuberante e desde o início é usada para os mais variados vírus. Há também ação imunomoduladora, sendo prescrita para artrite reumatoide, lúpus eritematoso e suas complicações, com ações pleiotrópicas. Melhoram outras condições, como controle do diabetes mellitus – efeito protetor nas arritmias cardíacas causadas pela reperfusão miocárdica, por ocasião do infarto agudo, efeito antiarrítmico conhecido há mais de século.

Em síntese, tem efeito anti-inflamatório, trata neuropatia, problemas metabólicos como diabetes, problemas cardiovasculares, doenças degenerativas, doenças autoimunes, modifica a síntese de melanina, resolve dor e inflamação, tem ação anticâncer e, principalmente, a inquestionável ação antiviral (Expert Opin. Ther. Patents, 2015, 25(9):1003-1024).

Já argumentamos que os 4-aminoquinolinas (cloroquina e hidroxicloroquina) são drogas excepcionais e seguras. E como elas agem? Antes de qualquer coisa, é bom esclarecer que os vírus são estruturas rudimentares que não subsistem por si sós. Necessitam de um outro organismo para se acomodar e, como seres vivos, adaptam-se a situações diferentes com maior rapidez, na proporção direta das adversidades.

O Sars-CoV-2, o novo coronavírus, é um parasita da célula epitelial que se encontra preferencialmente na árvore respiratória, fígado, rins e vasos sanguíneos. O vírus tem uma “chave” que abre a porta da célula, a glicoproteína S, que é o Spike. A “fechadura” da célula é o receptor ECA-2 (enzima conversora da angiotensina-2). Abrindo a porta, o vírus se apossa da célula e passa a usar seus recursos, principalmente a energia por ela produzida para sua replicação.

Feito isso, o coronavírus sai da célula com gigantesca quantidade de descendentes para parasitar outras células. Esse processo de replicação ocorre no surgimento dos primeiros sintomas, como dor de garganta, tosse seca, febre, calafrios, sudorese, indisposição, dor no corpo, cansaço, inapetência, anosmia e disgeusia (alteração da gustação) até os primeiros sinais de falta de ar, conhecido por dispneia, expressão de significativo processo inflamatório pulmonar com dificuldade da difusão do oxigênio e também endurecimento do pulmão pelo inchaço das muitas destruições celulares. Esse período leva de cinco a sete dias e o quadro se expressa devido à fase inflamatória já disseminada no pulmão.

O tratamento precoce tem de ser feito no momento correto. Depois de chegar à fase inflamatória pulmonar, o estrago orgânico anatômico já está feito. A cloroquina não resolverá mais. Então, sabendo agora que o vírus precisa penetrar a célula e a sua presença no corpo dá o alarme através de qualquer um dos sintomas anteriores, precisamos enganá-lo e destruí-lo.

Fora da célula, o vírus morre e estará exposto aos soldados de defesa, que são neutrófilos e macrófagos. A cloroquina e a hidroxicloroquina alteram a fechadura da porta e o vírus não consegue entrar na célula, ficando exposto aos guardas corporais. Se alguns entram na célula, os medicamentos tornam o ambiente interno mais hostil que o externo. E o vírus não consegue se replicar. A hidroxicloroquina inibe também a quinona-redutase-2, que é outra fechadura usada pelo vírus para a síntese do ácido siálico, por onde também pode entrar. A cloroquina bloqueia, ainda, a produção de citoquinas pró-inflamatórias, como a interleucina-6, bloqueando a via que leva à síndrome respiratória aguda grave (BMB Resp 2020 Apr 30;53(4):191-205; e Expert Opin Ther Pat 2015; 25(9): 1003-1024).

O complexo hospitalar The Henry Ford Health System publicou recentemente, no International Journal of Infectious Diseases 97 (2020) 396-403, resultados de tratamento intra-hospitalar com redução de mortalidade em 2.541 pacientes internados, sem efeitos cardiovasculares adversos, com idade média de 64 anos. Outra revista, a Travel Medicine and Infectious Disease 35 (2020) 101738, fez análise retrospectiva de 1.061 casos confirmados de coronavírus com negativação viral de 91,7%, em dez dias, tratados com hidroxicloroquina e azitromicina. Há muitos outros trabalhos, os quais confirmam a ação eficaz dos antivirais, inclusive a ivermectina.

Por que, então, tanta resistência em aceitar o que já se sabe há 52 anos? Fora do Brasil, há influência econômica gigantesca, onde os laboratórios pesquisam moléculas complicadas e caras, pouco eficazes, como é o caso do oseltamivir, parado no mercado há 20 anos, com eficácia que não chega a 42% na redução das complicações respiratórias em pacientes acometidos de influenza. Há ainda os mais caros, como lopinavir, ou ritonavir, remdesivir e o tocilizumab, que é um anticorpo monoclonal de custo/efetividade impraticável.

No Brasil, a questão é ideológica. Querem desestabilizar o governo sob o manto do politicamente correto “em defesa da vida”. Usam a morte como palanque. São cínicos e assassinos. Foi o que aconteceu em uma pesquisa realizada para provar os malefícios da cloroquina, no Amazonas, em que foi usada superdosagem. Para matar mesmo! Ou seja, de 900 a 1.200 mg por dia, por dez dias. Foram registradas 11 mortes. Pudera!

O estudo teria tido autorização da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), mas não havia número do processo que o liberava. A assessoria de comunicação do Ministério da Saúde descobriu que número da Conep era de data posterior à publicação do estudo. Ao buscar os responsáveis pela pesquisa, havia entre eles militantes do PCdoB, médicos de esquerda e a médica cardiologista convidada e depois desconvidada para assumir o Ministério da Saúde. Todos subscreviam o estudo, além de 28 coautores. Isso mostra o nível de oposição que o atual governo enfrenta, capaz de cometer crimes para impor suas ideias e teorias.

Situações como essas, além do volume gigantesco de dinheiro liberado para compra de equipamentos e material permanente, contratação de serviços médico-hospitalares, bem como a parte para as respectivas propinas, transformam a população e o paciente em simples detalhe.

Invocam essa ciência assassina à exaustão, a exemplo dos nazistas. Se há um culpado nesse holodomor medicamentoso, podemos encontrá-lo na oposição inconsequente e irresponsável, no STF e em setores da mídia, que perderam a noção sobre seu real papel de informar e proteger o cidadão. Esses são os reais responsáveis por mais de 330 mil mortes no Brasil.

À população foi negado o tratamento precoce, com uso responsável de medicamentos de baixo custo, extremamente eficientes. As falsas notícias sobre os remédios populares têm feito com que as pessoas tenham receio até de usar o termo “tratamento precoce”, como se fosse pecado mortal.

Que os responsáveis pela disseminação de mentiras sobre uma forma eficaz de evitar mortes por Covid-19 saibam que a conta chegará e que a história não os poupará.

Luiz Ovando é medico cardiologista, intensivista e geriatra, e deputado federal (PSL-MS).

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