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Os ventos da transformação

A sociedade precisa aproveitar a mudança de governo para sepultar as práticas nocivas que se tornaram comuns nos últimos anos e resgatar valores como ética e respeito

  • Edson Campagnolo
 | André Rodrigues/Gazeta do Povo
André Rodrigues/Gazeta do Povo
 
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Vivemos um momento propício a mudanças. Os resultados das últimas eleições trouxeram ventos de transformação ao Paraná e ao Brasil. A sociedade precisa aproveitar essa oportunidade para sepultar, de uma vez por todas, várias práticas nocivas que se tornaram comuns nos últimos anos e resgatar valores como ética e respeito.

O desejo por mudanças ficou claro com os votos que o eleitor depositou nas urnas. Tanto para o Executivo federal quanto para o estadual, foram escolhidos candidatos com claras propostas de alterar profundamente a administração pública, tornando a gestão mais leve e eficiente. Mas os sinais mais fortes da insatisfação da sociedade com a maneira como a classe política vem conduzindo o país vieram das eleições para o Legislativo. No Senado, das 54 vagas em disputa, 46 serão ocupadas por novos representantes – uma renovação de mais de 85%. Na Câmara dos Deputados, o percentual de novos parlamentares também é elevado, superando os 52%. Movimento parecido ocorreu no Paraná, com uma renovação de 40% na Assembleia Legislativa.

Porém, tão importante quanto a troca de boa parte dos nomes que representam a população no Legislativo é alterar, também, a estrutura de comando dessas casas de leis. Especialmente no caso paranaense, as principais funções da mesa diretora da Assembleia, há um bom tempo, vêm se concentrando nas mãos de um mesmo grupo de deputados, que nem sempre têm a postura e a lisura que deveriam ser inerentes aos cargos. Como exemplo, os três deputados que, desde 2007, sucederam-se na presidência da casa são investigados ou respondem a processos por graves suspeitas de desvios de recursos públicos.

O desejo por mudanças ficou claro com os votos que o eleitor depositou nas urnas

O caso mais emblemático, conhecido como Diários Secretos, revelado há oito anos, em que funcionários fantasmas eram contratados por meio de atos da presidência da Assembleia que não se tornavam públicos, segue sem punição. Hoje, o atual presidente e seu antecessor, além de outro integrante da alta cúpula do Legislativo, são investigados na operação Quadro Negro por suspeitas de recebimento de recursos desviados, que deveriam servir para a construção de escolas.

Neste momento de articulações até a escolha do próximo presidente da Assembleia, que acontece no início do próximo ano, é fundamental que a sociedade paranaense siga se posicionando a favor de mudanças efetivas na postura de nossos deputados. Tão importante quanto um Executivo disposto a fazer alterações na estrutura administrativa do estado é ter no comando do Legislativo parlamentares comprometidos em moralizar e modernizar a gestão da casa. Além de um deputado distante de suspeitas ou escândalos de corrupção, é preciso alguém que promova uma verdadeira remodelação na estrutura da Assembleia, reduzindo gastos e possibilitando que o dinheiro economizado possa ser investido em outras áreas da administração pública, como educação, saúde e infraestrutura.

Os ventos de transformação precisam atingir também o Judiciário paranaense, outro poder que está em processo de troca de sua alta cúpula. Como seguidamente vem cobrando o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), são necessárias mudanças na estrutura funcional do Tribunal de Justiça do Paraná para agilizar o andamento dos processos e otimizar a aplicação dos recursos. Também aqui, economias que podem ser geradas serão importantes para equilibrar as contas do estado.

Leia também: Os eixos do governo Bolsonaro (editorial de 19 de novembro de 2018)

Leia também: Vem aí o longo terceiro turno (artigo de Percival Puggina, publicado em 20 de novembro de 2018)

Essa mudança de paradigma na administração pública precisa se espalhar não apenas pelo Paraná, mas por todo o país, em todas as esferas: municipal, estadual e federal. Deve atingir, também, instituições da sociedade civil organizada, incluindo aí o próprio Sistema S, grupo de instituições que apoiam diferentes segmentos econômicos, do qual o Sistema Fiep faz parte. Estamos dispostos a, junto com a comunidade empresarial, discutir novos modelos de gestão que possibilitem uma aplicação cada vez mais eficiente dos recursos e o alcance do objetivo finalístico dessas instituições – em especial a educação profissional e a saúde e segurança dos trabalhadores. No Paraná, investimos nos últimos anos em tecnologias e mecanismos de gestão e compliance, com o objetivo de aprimorar nossos processos, aumentando a transparência e facilitando o acesso às informações pelos órgãos de controle e fiscalização.

Enfim, é hora de toda a sociedade adotar uma nova postura para fazer com que o Paraná e o Brasil avancem. Se não aproveitarmos os ventos da transformação para estruturar nosso caminho para o futuro, perderemos mais uma vez o bonde da história e ficaremos distante de nos tornarmos uma nação próspera, desenvolvida e com justiça social.

Edson Campagnolo é presidente do Sistema Federação das Indústrias do Paraná

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