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Imagem ilustrativa.| Foto: Pixabay

A pandemia nos possibilita viver novos desafios familiares. A vida mudou rapidamente, o cotidiano precisou de novas configurações. Não somente as creches e as escolas precisaram fechar; os pais e mães passaram a trabalhar em casa. Então as dificuldades vieram, pois praticamente nenhuma família estava preparada para essa nova realidade. Com o momento pandêmico surgiram conflitos de convivência.

As famílias foram obrigadas a se reencontrar, a conviver a maior parte do tempo juntas, durante o período de isolamento. A crise sanitária nos forçou a olhar nos olhos de nossos filhos, a observar os comportamentos das crianças e adolescentes. Muitos pais e mães estavam tão distantes de seus filhos que não conseguiam reconhecê-los em casa. É uma parte do resultado de quando pais e mães delegam integralmente a educação à escola e/ou a outras pessoas que se dedicam aos cuidados dos pequenos.

Com a aproximação familiar, com a presença em casa, muitos pais e mães “caíram na real”. Mas em meio àquele caos também habitam lucidez e oportunidade para mudanças. É o momento ideal para repensar a educação dos filhos. É urgente a necessidade de educar, amar e dar limites. Porém, esse é um processo que requer coragem, investimentos e mudança de mentalidade com a ativação da autorresponsabilidade daqueles que conduzem a família.

Nossos filhos merecem atenção especial para que este tempo seja mais leve e menos traumático. Todas as experiências geradas por este convívio mais próximo entre os membros da família ficaram armazenados nos cérebros das crianças. Toda criança é emoção; ela está no processo de maturação, de aprendizagens e descobertas. Todas as emoções expressas pelos pais, mães e outros adultos significativos são observadas pelas crianças. Elas foram as mais impactadas pelas mudanças de rotina e pela necessidade de permanência no ambiente doméstico nestes anos de pandemia.

As crianças e adolescentes já armazenaram e armazenarão memórias positivas triviais (geralmente diárias), memórias positivas fortes (de maior impacto emocional), memórias negativas triviais (experiências ruins do cotidiano), memórias negativas fortes (de maior impacto emocional diante de experiências ruins), ou até mesmo terão lapsos de memória, onde não há registro das experiências, sejam elas positivas, negativas ou triviais. Que situações os nossos filhos experimentaram nestes anos de crise? Quais sentimentos e significados serão gerados a partir dessas memórias?

As memórias forjam as crenças porque elas são carregadas de sentimentos e significados. Toda criança é diferente; cada uma tem um perfil comportamental preponderante. Ora, o cérebro de cada criança também reconhecerá as experiências de forma distinta. Muitos comportamentos infantis são direcionados pela emoção; é normal que pensamentos e emoções induzam a criança a sentir medo, insegurança, irritação. Neste processo do educar, os pais e mães precisam ter uma postura autorresponsável e atenta para ensinar a criança a reconhecer seus sentimentos e emoções e dar nome para cada sensação, com o objetivo de treinar a inteligência emocional desde a infância. Primeiro reconheço o que estou sentindo, silencio, avalio, e depois observo o outro, o que ele está sentindo? Qual a razão para agir dessa ou daquela maneira?

O período de crise, da pandemia, passará, mas as memórias permanecerão para sempre. Os significados e sentimentos gerados por essas memórias permanecerão, terão efeitos em suas vidas. Pergunto: quais as memórias que seus filhos estão armazenando nas suas memórias? Quais crenças sobre si mesmo, sobre as pessoas e sobre o mundo estão sendo cristalizadas?

Um dos cenários para a criação de memórias é o ambiente. Como está o ambiente familiar em que seu filho está imerso? É um ambiente tranquilo ou tenso? A criança ou adolescente tem uma agenda da vida diária? Tem tempo de qualidade com os pais e mães? Sente-se importante e pertencente à família? Está conectado com o pai e a mãe? É autorresponsável nas tarefas escolares e na vida diária? É uma criança ou adolescente generoso? É tratado de acordo com as necessidades do desenvolvimento e da faixa etária? Sabe o significado do seu nome e pensa sobre qual a sua missão de vida?

São inúmeras perguntas que precisam de respostas. Os pais e mães têm de se posicionar, necessitam assumir a condução da vida familiar. Não é uma tarefa fácil. Mas, com amor, é possível ter uma família funcional, que ofereça às crianças e aos adolescentes mais memórias positivas do que negativas. Pais e mães, busquem auxílio, possibilitem novas experiências à sua família, fortaleçam a inteligência emocional de seus filhos, esse é um dos maiores legados à vida.

Célia Souza da Costa, doutora em Educação, licenciada em Filosofia e especialista em Educação Especial, é palestrante, professora, pedagoga e ministrante de cursos para educação familiar.

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