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Por que a liberdade de Cuba virou prioridade estratégica dos EUA?

O atual ditador de Cuba, Miguel Díaz-Canel, ao lado de seu antecessor Raúl Castro: EUA avaliam opções para provocar a derrubada do regime castrista (Foto: EFE/ Ernesto Mastrascusa)

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O condado de Miami-Dade abriga uma das maiores comunidades cubano-americanas dos EUA, mas, neste dia 20 de maio, a maioria dos americanos não se deu conta de que estava celebrando o que antes era o Dia da Independência de Cuba.

Isso é importante porque a história de Cuba, ao longo do tempo, tornou-se uma parte importante da história dos Estados Unidos.

Muito antes da revolução comunista de 1959, Cuba e os EUA compartilhavam uma das relações mais estreitas do Hemisfério Ocidental. Suas economias, portos, famílias e culturas estavam profundamente interligados. Havana já foi uma das cidades mais conectadas aos Estados Unidos na América Latina. Cuba não era um país estrangeiro abstrato para os americanos. Era um vizinho próximo e um parceiro natural, a apenas 145 quilômetros da Flórida.

Então, tudo mudou.

Fidel Castro não se limitou a tomar o poder em Cuba. Seu regime comunista, assassino e opressor aliou-se à União Soviética e transformou a ilha no centro de exportação ideológica do marxismo anti-americano em todo o Hemisfério Ocidental.

A perda de Cuba não ficou restrita a Cuba. Hoje, o regime representa uma ameaça à democracia no exterior e uma ameaça estratégica direta aos Estados Unidos.

Durante décadas, Havana ajudou a normalizar e disseminar movimentos revolucionários, políticas autoritárias de esquerda, agitação anti-americana e redes esquerdistas desestabilizadoras por toda a América Latina. Os danos não se manifestaram na forma de tropas ou agentes cubanos. O maior dano veio daquilo que Cuba inspirou, treinou, legitimou e sustentou em toda a região.

O castrismo reverberou posteriormente por todo o hemisfério em diferentes formas. Independentemente das diferenças superficiais, Cuba forneceu o modelo, a mitologia, o campo de treinamento e um manual adaptável para a política autoritária de esquerda anti-americana: Hugo Chávez e Nicolás Maduro, na Venezuela; Daniel Ortega, na Nicarágua; Gustavo Petro, na Colômbia; Evo Morales, na Bolívia; e a máquina política de Kirchner, na Argentina. Em todos os casos, a estratégia era semelhante: enfraquecer as instituições, demonizar os mercados, romantizar o poder estatal e culpar os EUA.

Com o tempo, o castrismo corroeu países em todo o hemisfério, criando terreno fértil para corrupção, tráfico de drogas, violência de cartéis, colapso econômico e enfraquecimento da capacidade estatal

Também abriu caminho para que atores estrangeiros hostis, como China, Rússia e Irã, aprofundassem sua influência na vizinhança dos Estados Unidos.

Os americanos não devem ignorar os relatos de cooperação militar e desenvolvimento de capacidades com drones a apenas 145 quilômetros de suas costas. Muitos americanos hoje encaram o caos nas fronteiras, o tráfico de pessoas, o fluxo de fentanil, o colapso de Estados e os regimes anti-americanos em partes da América Latina como problemas isolados. Não são. O longo ciclo de instabilidade do hemisfério não surgiu do nada. De muitas maneiras, começou com a exportação do castrismo após 1959.

É por isso que libertar Cuba não é apenas uma questão cubana. É uma questão que coloca os Estados Unidos em primeiro lugar.

“América Primeiro” não significa ignorar o hemisfério enquanto crises se alastram perto das costas dos Estados Unidos. Significa reconhecer que a instabilidade próxima de casa eventualmente atinge o território americano nos âmbitos econômico, político, social e cultural. Um regime desesperado posicionado às portas da América não é apenas trágico; é perigoso para a nação.

Como alguém que cresceu no sul da Flórida, vi em primeira mão como os cubano-americanos entendem isso melhor do que quase ninguém. Isso porque eles vivenciaram essa realidade.

Os cubano-americanos não chegaram aos Estados Unidos confusos sobre o comunismo. Chegaram compreendendo intimamente suas consequências. Compreendem a crueldade de um regime que abate aviões civis transportando americanos inocentes sobre águas internacionais, enquanto permite que pessoas comuns morram de fome e que elites influentes se apeguem ao poder e à riqueza.

Não é, portanto, surpreendente que muitos em Miami-Dade reajam negativamente quando a deputada Alexandria Ocasio-Cortez, democrata de Nova York, e o prefeito da cidade de Nova York, Zohran Mamdani, flertam com ideias das quais exilados cubanos passaram gerações fugindo.

Os habitantes do condado de Miami-Dade — e aqueles espalhados pelo sul da Flórida — podem contar essa história.

Apesar do sofrimento intergeracional que assola muitas famílias cubano-americanas que chamam Miami de lar, a região metropolitana não se define por ressentimento ou vitimização. Ela se define por patriotismo, empreendedorismo, fé, família e ascensão social. Os mesmos exilados cubanos que fugiram da ditadura ajudaram a construir uma das economias metropolitanas mais dinâmicas dos Estados Unidos porque acreditavam profundamente no sonho americano e entendiam o que acontece quando a liberdade desaparece.

Nenhuma comunidade está em melhor posição para explicar essa realidade do que o condado de Miami-Dade.

Miami-Dade, uma área metropolitana americana, é algo com que outros americanos se identificam de uma forma que Cuba, por si só, nem sempre consegue. Através de Miami-Dade, os americanos podem ver a realidade humana por trás do autoritarismo: famílias separadas, empresas destruídas, liberdades cerceadas e vidas reconstruídas por meio da liberdade e das oportunidades nos EUA.

Não é coincidência que Miami-Dade, antes considerada um reduto democrata, tenha mudado politicamente nos últimos anos, à medida que mais moradores rejeitaram os padrões ideológicos falidos dos quais eles ou suas famílias fugiram.

A história cubano-americana, em última análise, não é apenas uma história cubana. É uma das afirmações mais fortes da experiência americana na história moderna.

Hoje, há sinais de que os Estados Unidos podem finalmente estar abordando a questão cubana com uma clareza estratégica renovada. A concessão de poderes pelo presidente Donald Trump ao secretário de Estado Marco Rubio — uma lenda local de Miami-Dade — reflete algo maior do que a política. Reflete a compreensão de que as pessoas que escaparam do autoritarismo no hemisfério podem entender seus perigos com mais clareza.

No dia 20 de maio, os americanos devem se lembrar de que Cuba já foi um dos parceiros mais próximos dos Estados Unidos no hemisfério. Um dia, com a liberdade restaurada, poderá voltar a sê-lo.

Roberto J. Gonzalez é um político norte-americano, eleito comissário do Condado de Miami-Dade County, no extremo sudeste da Flórida, Estados Unidos.

©2026 The Daily Signal. Publicado com permissão. Original em inglês: Cuba’s Freedom Is an ‘America First’ Cause

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