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Já é conhecido e certo que o desenvolvimento do Brasil está nas mãos do surgimento de políticas educacionais mais adequadas. Afinal, é por meio das escolas – organizações educacionais por excelência, que nosso país alcançará indicadores satisfatórios nas esferas políticas, sociais, econômicas, tecnológicas e culturais. A educação tem o poder de transformar a mentalidade de uma comunidade, gerando cidadãos mais críticos, capazes de diagnosticar problemas sociais e assim estimular o senso de mudança coletiva.

O que não é claro é por qual parte da educação começar. A mídia tem mostrado realidades alarmantes na esfera pública, com resultados contraditórios e ainda poucos casos de sucesso. Já na rede privada, a competição por recursos, alunos e prestígio tem cegado os diretores, que não sabem se investem em professores, fazem inovações no sistema de ensino ou aumentam a estrutura física, pois tudo parece prioridade. Se isso não bastasse, diretores da rede privada têm recorrido a soluções "importadas" das empresas, menosprezando as dimensões escolar e humana do processo educacional.

Ambas as realidades padecem de um mal específico: são cheias de uma "gestão professoral" e pouco profissional. Infelizmente, ainda as escolas são geridas, em sua maioria, por pedagogos que deixam as salas de aula para o exercício da gestão, o que culmina em práticas ineficazes. A maioria dos cursos de Pedagogia e alguns cursos de Administração no Brasil ainda fundamentam suas disciplinas de gestão na lógica linear do planejamento e do pensamento cartesiano. É assustador, mas mesmo as universidades parecem ser alheias ao que se produz de estudos científicos sobre a gestão de escolas, universidades e hospitais – as chamadas organizações complexas.

A gestão de organizações educacionais tem sido alvo de muitas pesquisas, em especial americanas, e esses estudos têm apresentado resultados, no mínimo, curiosos. As escolas têm sido classificadas como "organizações profissionais", de natureza complexa e plural. Sua gestão é caracterizada como atípica, imprevisível e sem um padrão específico, devido à complexidade da natureza do trabalho e da pluralidade de seus objetivos. Isso é desconhecido da maioria dos diretores de ensino, que não estão preparados para lidar com esse tipo de contexto e, pior, não conseguem o conciliar com demandas pedagógicas que abarcam sua função, gerando uma gestão amadora e, por isso, falha. Na esfera pública, os gestores ainda são eleitos sob um conceito equivocado de democracia, o que piora a situação. Henry Rosovsky, ex-diretor em Harvard, em seu livro The university: An Owner’s Manual destaca que a democracia não funciona em organizações familiares, exércitos e escolas. Nessas últimas, são a meritocracia e a competência técnica que devem predominar. As organizações que têm investido nesse modelo têm obtido sucesso, tanto no âmbito privado, quanto público.

Na rede privada de ensino, a solução parece chegar mais rápido, pela necessidade de sobrevivência no mercado, mas ainda os gestores têm insistido em modelos prontos. Quanto à esfera pública, enquanto a burocracia e sua forma de atrair os diretores escolares continuar da mesma forma, os resultados serão proporcionais à equivocidade do sistema. Ao que parece, um problema mais de gestão do que educação, afinal, as escolas são organizações importantes demais para a sociedade para terem sua gestão conduzida por amadores.

Haroldo Andriguetto Junior, mestre em Administração.

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