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Promessas em campanha, conta no bolso: quem pagará por 2026?

(Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

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Toda promessa eleitoral tem um preço, e a fatura não desaparece quando o candidato evita mostrá-la. Em 2026, oferecer menos impostos, mais benefícios, crédito e investimentos já não basta. O eleitor precisa saber quanto cada medida custará, de onde virão os recursos e quais despesas serão revistas. A população tem necessidades urgentes, mas o orçamento tem limites e a responsabilidade fiscal é necessária. A pergunta capaz de separar um projeto de governo de uma peça de campanha continua sendo a mais simples: quem vai pagar a conta?

Responsabilidade fiscal não é cortar por cortar. É definir prioridades, avaliar resultados e manter a dívida sob controle sem abandonar investimentos produtivos nem políticas sociais essenciais. O alerta é concreto: segundo a Instituição Fiscal Independente, a dívida bruta estimada em 80,1% do PIB pode alcançar 82,5% ainda em 2026, superar 100% em 2032 e chegar a 115% em 2036. Para estabilizá-la, seria necessário um superávit primário anual de 2,1% do PIB. Ignorar essa trajetória seria uma escolha política cara.

Quando falta uma estratégia confiável, o risco aumenta, os juros sobem e o crédito encarece. No Relatório de Política Monetária de junho de 2026, o Banco Central projetou crescimento nominal de 9% do saldo de crédito no ano, o segundo período consecutivo de desaceleração. O documento também registrou expectativas de inflação de 5,30% para 2026 e de 4,10% para 2027, ambas acima da meta. O efeito chega ao caixa das empresas, ao financiamento da casa, à prestação do consumidor e aos recursos destinados à saúde, à educação e à infraestrutura. Prometer faz parte da política; esconder custos, não.

Um programa sério deve informar o custo de cada medida, a fonte permanente de recursos, as despesas que serão revistas e o impacto sobre a dívida. O ajuste não pode começar pelos investimentos nem pelos mais vulneráveis. Há espaço para rever subsídios, combater fraudes e avaliar benefícios tributários, mas não existe solução sem escolhas difíceis, transparência e divisão justa dos custos. A responsabilidade também é do Congresso, dos órgãos de controle, da imprensa e da sociedade. Sem fiscalização, exceções viram regra e decisões urgentes são adiadas.

Responsabilidade fiscal não é jargão de economista nem inimiga da proteção social. É respeito ao cidadão. O eleitor não precisa dominar as contas públicas, mas tem o direito de exigir números, prazos e escolhas claras. Nas urnas de 2026, esse deve ser o critério: não basta dizer o que será feito; é preciso mostrar como cada promessa caberá no orçamento.

Alexandre Francisco de Andrade é mestre em Engenharia de Produção e coordenador nas áreas de Finanças e Agronegócio na Uninter.

Conteúdo editado por: Jocelaine Santos

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