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Paulo Briguet

Paulo Briguet

“O Paulo Briguet é o Rubem Braga da presente geração. Não percam nunca as crônicas dele.” (Olavo de Carvalho, filósofo e escritor)

Regime PT-STF

O Tribunal da Vergonha e a morte da Justiça no Brasil

O que vimos hoje foi a luta sangrenta da facção de ministros-políticos — formada por Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Gilmar Mendes. (Foto: Gustavo Moreno/STF)

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“Qualquer indivíduo que não for punido por seus crimes deve ser considerado como o mais infeliz dos homens, e que, em qualquer circunstância, quem comete alguma injustiça é mais infeliz do que a vítima dessa injustiça.”
(Platão, “Górgias”)

Todo brasileiro decente se envergonha de Flávio Dino, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes.

Uma das profecias que Bertrand de Jouvenel faz em seu clássico “O Poder: História Natural do Seu Crescimento” é a de que, em nosso tempo, a Justiça seria destruída pela política. O espetáculo deprimente que o Brasil inteiro viu hoje, no plenário do STF, é a prova de que o grande cientista político francês estava coberto de razão.

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O que vimos hoje foi a luta sangrenta da facção de ministros-políticos — a gangue formada por Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Gilmar Mendes — contra os ministros que ainda acreditam que a mais alta corte do país deve voltar a pautar-se pelo cumprimento da lei e pelo exercício da Justiça, apesar de todos os abusos e descalabros cometidos nos últimos sete anos a partir do Inquérito do Fim do Mundo, incluindo a maior farsa jurídica de nossa história — o julgamento do falso golpe de 8 de janeiro.

Recusando-se a investigar os claríssimos indícios de crime contra um de seus membros, o STF está destruindo os seus últimos resquícios de autoridade perante a sociedade brasileira. Tudo o que hoje emana desse Tribunal da Vergonha está, de alguma forma, conspurcado e envenenado pelos crimes que os cúmplices do regime querem desesperadamente ocultar.

Enquanto Moraes não for afastado e investigado (além de preso!), desobedecer às ordens do STF será um dever para qualquer homem de bem em nosso país. O Supremo, dominado pela Gangue dos Quatro de Lula — Dino, Gilmar, Zanin e Moraes —, e com a indispensável colaboração do pusilânime Nunes Marques, tende a se transformar em valhacouto para um bandido. O que fazer, então? É simples: partir para a desobediência civil.

Sim, a política matou a Justiça. A Gangue dos Quatro — fazendo lembrar os maoístas criminosos da China — conseguiu aniquilar qualquer possibilidade de que as leis, mesmo as leis naturais, venham a valer mais do que os interesses do consórcio do poder.

Gilmar, Dino e Moraes, com grande cinismo, buscam imputar a André Mendonça as atrocidades que eles próprios vêm cometendo em série ao longo dos últimos anos

Ora, mas quem transformou parte da PF em polícia secreta contra os inimigos políticos? Quem rasgou a Constituição, ignorou o princípio do juízo natural e sepultou o direito à defesa? Quem, numa palavra, destruiu o império da lei no Brasil? Sabemos a resposta. Mas, fiéis ao princípio comunista “Acuse-os do que você faz, xingue-os do que você é”, tentam fazer a inversão ontológica da realidade, transformando o inocente em culpado, a vítima em algoz, a coragem em escândalo.

O Brasil inteiro viu com os próprios olhos e ouviu com os próprios ouvidos o que aconteceu hoje no plenário do STF. Mas seria interessante também que o país conhecesse o conteúdo daquilo que Alexandre de Moraes, o Careca do Master, chamou de sua “defesa”: um documento repleto de erros gramaticais e gritos histéricos em caixa alta, escrito na calada da noite. O “madrugadão do Xandão”, a meu ver, é uma confissão travestida de defesa: ali vemos um psicopata em estado de completo desespero.

Moraes começa por negar a evidência dos sentidos:

(...) “O MAIS GRAVE. As ilações absurdas, que foram divulgadas como SUPOSTOS DIÁLOGOS entre Daniel Vorcaro e o Ministro Alexandre de Moraes, SIMPLESMENTE NÃO EXISTIRAM. NÃO EXISTE DIÁLOGO, que pressupõem (sic) a existência de dois interlocutores, pois não há UMA ÚNICA MENSAGEM OU BLOCO DE NOTAS COM O TEXTO DE MENSAGENS DO MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES.” (Tópico 95)

Depois, ele passa a atacar o ministro André Mendonça como um inimigo político:

A PET 16662 (...) foi um ato covarde, desesperado e com finalidade político-eleitoral em virtude da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República jamais apontarem a presença de qualquer indício de prática de atividades ilícitas pelo Ministro Alexandre de Moraes.”

“A tentativa do Ministro André Mendonça de esconder a PET 15.625 do Colegiado é prova cabal de sua conduta ilegal de incriminar o Ministro Alexandre de Moraes (...) Preferiu aguardar o momento político-eleitoral mais visível, véspera do comício de 7/9, para produzir sua farsa.”

Como não poderia faltar em uma ditadura socialista, Moraes também aponta ocultos “inimigos estrangeiros”:

“O relatório é imprestável porque houve total quebra da cadeia de custódia, inclusive com relatório não realizado integralmente na Polícia Federal, mas sim com auxílio de órgão externo, provavelmente órgão estrangeiro, demonstrando clara tentativa de interferência externa nas eleições brasileiras de 2026...”

Moraes conclui a sua peça ancorando-se na maior farsa jurídica da história do país — o 8 de janeiro:

“Todos sabem a motivação político-eleitoral dessas criminosas mentiras. VINGANÇA. Está muito clara a tentativa de vingança dos aliados daqueles que tentaram acabar com a Democracia e o Estado de Direito e foram condenados pelo SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.”

“A tentativa de Golpe não se encerrou em 8/1/2023, simplesmente mudou seu modus operandi. Mas, assim como na primeira vez, o SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL saberá resistir e sairá fortalecido...”

É isso mesmo que vocês leram, meus sete amigos. No momento em que se vê confrontado com seus próprios crimes, Moraes evoca a mentira que fundamenta a totalidade de suas decisões: a farsa do golpe de 8/1.

O desespero faz o tirano cometer o erro fatal que os gregos chamavam de húbris. Em sua patética defesa, Moraes deixa claro que não há limites entre ele e a farsa. Quando a farsa do regime acabar, ele acaba também.

PS: Eu não poderia encerrar esta crônica sem mencionar as divertidas citações do ministro Flávio Dino. Durante suas falas, ele citou Fábio Porchat e Chico César (certo) e Aristóteles (errado). Isso mostra o horizonte mental do nosso juiz comunista. (Por alguma razão, hoje ele não citou o camarada Mao.)

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